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sábado, 16 de maio de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Política de Segurança, povo e política
Iniciou as aproximadamente as 9:00 horas e até as 11:09 minutos foi apenas de exposição, palestra das autoridades. Com o adiantado da hora a inscrição de fala do povo foi pontual. O diagnóstico do problema posto pelo delegado, Barroso - da 10ª DP de Londrina, de há 2.200 presos em Londrina, e as polícias assumem o papel de 'enxugar gelo' com carência de meios. Apontou diretrizes no primado de políticas públicas intersetoriais entre educação, cultura, saúde, segurança e trabalho e renda. Destacou a importância da participação popular. A fala do prefeito Pavinato que expôs a conexão entre segurança e família e sua evolução de história da cidade nos últimos 40 anos. Predicou a ação dos cristãos, no apoio as políticas de segurança, senão srá contraposto a identidade de cristão. No debate, Walmir Ferreira - morador do Jardim Tupi, contrapos dizendo que não se deve reduzir a ação dos cristãos, mas de todas as pessoas de boa vontade, seja evangélicos, cristãos e ateus.
A participação popular, com tempo reduzido de 2 minutos para pergunta aos membros da mesa, era notório que o povo queria discutir, debater o tema e indicar propostas. O evento careceu de cultura de participação livre, posta e proposta da sociedade civil, como superação do dualismo político: situação-oposição. Na história de Cambé raramente houve participação popular, que ultrapasse os 'corre-legionários'.
Concluiu-se com a proposta de Walmir Ferreira de constituir um Fórum Municipal Permanente de discussão sobre Segurança Pública. A história é uma construção. O novo só surge do 'parto'.
sábado, 28 de março de 2009
caso seja leitores da (in)Veja, Folha de São Paulo, Isto é, e telespectadores do Jornal Nacional, Jornal da Band e telejornais da SBT e comunicar tais noticias aos alunos, sugiro ler o texto abaixo (site da Adital). Após a reflexão construa a sua idéia.
Prof. Joaquim P. Lima
A mídia e os movimentos sociais
Atualizado e Publicado em 27 de março de 2009 às 09:37
25 DE MARÇO DE 2009 - 13h01
Dez regras da grande imprensa ao abordar movimentos sociais
Convenções básicas (quem não cumprir está sujeito à demissão):Por Osvaldo da Costa, na Adital, via Vermelho
1ª) Toda ocupação de terra deve ser chamada de invasão
Ao invés de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, "ocupação" – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios –, é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra "invasão" – tomar para si pela força algo que não lhe pertence.Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas.Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infra-estrutura e matam a população, deve-se utilizar o termo "ocupação".
2ª) Regra do efeito dominó: fale só do maior para bater em todos
O acordo da grande imprensa é manter somente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na pauta dos noticiários, e evitar sempre que possível falar da existência de outros movimentos sociais. Para isso, quando se tratar de movimentos do campo, basta usar sempre a expressão genérica "movimento dos sem-terra", ou falar dos "sem-terra", sem mais detalhes.Se a pauta exigir o detalhamento do movimento, recomenda-se associá-lo sempre ao alvo principal, com expressões como "movimento dissidente do MST".Essa regra ainda colabora para a desunião entre os movimentos, pois os menores se incomodam pela invisibilidade e pelo fato de terem suas ações relacionadas sempre ao MST.
3ª) Reforma Agrária deve ser tratada como questão de polícia
Movimentos sociais e reforma agrária devem, sempre que possível, ser tratados na página policial, no caso de jornais impressos, e no bloco do crime e dos desastres, no caso dos telejornais.Caso não seja possível enquadrá-los na seção policial ou em espaço próximo, use títulos para editorias que lembrem o belicismo, como "campo minado". Não importa o que diga sua matéria, os títulos devem falar por ela, mesmo que não tenham relação com o conteúdo. Use tons sensacionalistas e fatalistas.
4ª) Nunca divulgue os artigos progressistas da Constituição Federal
Os artigos da Constituição Federal que tratam da função social da terra, que integram o código agrário – 184 a 191 – nunca devem ser mencionados em reportagens sobre os movimentos sociais, para evitar a compreensão de que a ação de invasão de terras pode ter algum respaldo legal.É sempre recomendável lembrar da lei de Segurança Nacional e da necessidade de uma legislação contra o terrorismo no Brasil. O termo "Estado de Direito" é ideal para isso. Considere qualquer manifestação uma afronta ao Estado de Direito, mesmo que ele seja apenas o Direito do Estado.Se falar do Estado de Direito e suprimir os artigos progressistas da Constituição não for suficiente, convém colocar as reportagens próximas à cobertura de ações terroristas ou, levantar a suspeita de que há relação do movimento social com uma organização terrorista ou guerrilheira estrangeira.Conjunto de regras para serem selecionadas e aplicadas conforme a conjuntura exigir:
5ª) Levante a bola para o oportunista de plantão
Não é verdade que o papel da imprensa é apurar a verdade dos fatos. Todo aspirante deve saber que a imprensa tem poder para gerar os fatos.Além disso, apurar fatos implica em sair da sua cadeira e nem todos eles podem ser apurados por telefone. Basta fazer uma reportagem suspeitando de algo, e procurar um oportunista que queira protagonizar a indignação pública para a suspeita ganhar dimensão de notícia.Sempre há alguém à disposição esperando para se deslumbrar com as luzes dos holofotes. O exemplo bem sucedido mais recente foi o caso da requentada pauta da suspeita da legalidade do financiamento público para cooperativas da reforma agrária, em que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) desempenhou o papel de porta-voz da bancada ruralista, dando respaldo para a suspeita, e de quebra, aproveitando para atacar o governo federal.Se não houver ninguém do Judiciário ou algum deputado, não importa, qualquer um, sem nunca ter ido a um assentamento ou acampamento pode ser transformado em "especialista" em questão agrária: sociólogos, filósofos e até jornalistas.
6ª) Nem sempre devemos apurar os dois lados da notícia
Quando já conseguimos incutir um pré-julgamento na opinião pública sobre o caráter marginal das ações dos movimentos sociais, podemos reforçar essa opinião entrevistando somente o lado agredido pelas ações, as vítimas dos movimentos. Fica implícita a informação de que, como os integrantes dos movimentos são foras da lei, quem deve escutá-los é a polícia e o poder judiciário. Se ainda assim tiver que ouvi-los, seja breve e descontextualize a frase.
7º) Não deve existir noção de historicidade, nem de causa e conseqüência em nossas reportagens
Não abordar as razões da ação dos movimentos sociais, evitar a divulgação da nota à imprensa. Não importa há quanto tempo às famílias estejam acampadas, quais promessas foram feitas pelo governo, se a terra é do banqueiro que saqueou os cofres públicos ou do coronel que vive do trabalho escravo. Se detenha nas conseqüências da ação.
8°) Dramatização da repercussão das ações dos movimentos sociais
Retire o foco das motivações estruturais e causas históricas e centre a abordagem nas conseqüências para os indivíduos donos ou empregados das propriedades invadidas ou atacadas. – fale do prejuízo econômico para o proprietário, e se possível faça uma entrevista com o mesmo ou com um familiar próximo para mostrar a comoção da família diante do ataque bárbaro. É importante mostrar o estado de choque emocional, e o ideal é que a pessoa esteja chorando. – surte grande efeito a entrevista com trabalhadores da fazenda ou da empresa. O maior exemplo é o caso da ação no horto da multinacional Aracruz no Rio Grande do Sul, em que uma técnica de laboratório se fez passar por pesquisadora e, em prantos (!), afirmou que a destruição das mudas de eucalipto acabou com mais de vinte anos pesquisa.Nesse caso, as reportagens conseguiram colocar os movimentos sociais como contrários à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, evitando a pauta concreta da ação, que se centrava na expansão ilegal das terras da empresa e na depredação da natureza com o monocultivo de eucalipto.
9ª) Campanha de desmoralização permanente dos movimentos sociais
É sempre bom manter semanalmente pautas de desgaste aos movimentos sociais, mesmo que não haja uma ação que renda manchete. Nesses casos, a regra é trabalhar com associação, encaixando uma reportagem que fale sobre um movimento após ou entre matérias que falem, por exemplo, de casos de corrupção no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), venda de terra e desmatamento em assentamentos da Amazônia Legal, etc.Bata nas mesmas teclas, insista nas mesmas teses permanentemente, mesmo que elas já tenham sido usadas antes. Insista, por exemplo, que o MST irá romper com o Governo Lula desta vez, mesmo que o movimento afirme e demonstre desde o primeiro dia de governo que nunca esteve atrelado.E quando não for possível tomar como alvo os movimentos sociais, vale mirar nas bandeiras de luta deles, alegando estarem ultrapassadas, deslegitimando-as como parte da solução atual para os problemas do país. Nesse caso, pode-se até reconhecer o valor histórico que bandeiras como reforma agrária cumpriram no Brasil e em outros países, mas deve-se usar essa manobra apenas para recusar essas propostas no presente.
10ª) É fundamental saber manipular a dimensão subjetiva do telespectador ou do leitor
Não é apenas com a manipulação dos fatos e com a edição das entrevistas que podemos influenciar na interpretação que os nossos consumidores farão. Na TV, a expressão facial e o tom de voz dos repórteres, dos comentaristas e, sobretudo, dos âncoras, é determinante. A adoção do semblante sério e do tom de voz grave deve indicar a importância do tema.Além da performance dos jornalistas como atores, é recomendável que o pano de fundo do cenário também traga imagens que gerem medo e desconfiança. O exemplo do Jornal Nacional é o mais ilustrativo: para falar da reforma agrária e dos movimentos que lutam por ela: aparece uma cerca rompida e três vultos disformes – "afinal não são pessoas, são sombras" –, empunhando ferramentas de trabalho como se fossem armas, numa ação de invasão da propriedade (e da casa do espectador).
domingo, 22 de março de 2009
Europa acusa do Brasil por não aceitar lixo - pneus europeus.
A Comunidade Europeia ainda acredita que o Brasil é uma 'colônia' de depósito de lixo. O livre comércio é uma princípio liberal que os liberais o respeitam conforme os interesses.
O jornal 'Diário de Portugal' , neste domingo(22/03), afirma que Hugo Chávez já tinha assegurado que a crise mundial do capitalismo não tocaria «nem sequer num único fio de cabelo» da Venezuela, mas a verdade é que o líder acabou por ceder ao anunciar uma redução de 6,7% no orçamento aprovado para 2009. Em causa está a quebra dos preços do petróleo a nível internacional.
Segundo o jornal «El País» deste domingo, o orçamento do Estado venezuelano foi cortado em cerca de 5 mil milhões de dólares para os 72,73 milhões de dólares, em resultado de uma revisão de 60 para 40 dólares no preço médio do petróleo e uma produção prevista de 3,17 milhões de barris diários, menos 500 mil face ao projectado anteriormente.
Chávez anunciou ainda dois novos decretos presidenciais que têm como meta baixar os gastos «sumptuários» e controlar os salários na administração pública, num ano marcado pelo endividamento interno.
Para equilibrar a perda de receitas petrolíferas, o líder avançou que o IVA subirá três pontos, ou seja, dos 9% para 12%.
Comentário:
A Comunidade Europeia - por extensão Portugal - borra de medo do novo modelo econômico e político em germe na América do Sul. Com a vitória da esquerda, p.p., em El Salvador (América Central) junto com Nicaragua, agiganta a paura dos 'colonizadores'. A imprensa e mídia nas grandes corporações brasileira de mentalidade colonial replicam o medo. O desconhecido produz medo.
domingo, 8 de março de 2009
O estuprador criança grávida que em PE, quem o defende?
- Visto que agir injustamente não implica necessariamente ser injusto, devemos perguntar quais são os atos injustos que tornam o seu autor injusto em relação a cada tipo de injustiça (por exemplo, um ladrão, um adúltero ou um bandido.(Aristóteles, filósofo. Ética a Nicômaco, Livro V,6).
O padrasto que estuprou a menina de 9 anos no nordeste pernambucano, que necessitou abortar os filhos gêmeos, e o bispo católico excomungou o médico por praticou aborto, foi tratado como bicho, mas não foi excomugado pelo clérico.
Quais razões, motivos, sentidos, o por que do agir de tal pessoa.
Estuprador: - ver no
dicionário:sub.
aquele que comete estupro
contra;
desflorar;
violar.
Para julgar é necessário articular JUIZO ÉTICO COM JUÍZO DE FATO.
Quais fatores, condicionantes que levaram o padrastro ao agir imoral? Qual a sua história de vida? Qual a educação? Quais os vazios e ausência da família, da comunidade e do Estado na formação da personalidade sadia do estuprador?
A história de vida e a vida na história da padrasto continuará. É possível restituí-lo ao convívio social. O pacto, contrato firmado pela sociedade e as pessoas, foi desrespeitada. Será que antes a sociedade não o desrespeitou.
Tais assertivas não servem como des-culpa (negação de culpa) para o agente causador de sofrimento a criança, mas é necessário articula-lo para evitar a hipocrisia e o cinismo. O causador de injustiça é um ser humano, e deve ser tratado como tal.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A FSP(Folha) chama da Ditadura de Ditabranda, vergonha

http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html.
Divulgue.
Lembre-se do discurso de Martin Luther King:
“O que me preocupa não são os gritos dos maus, é o silêncio dos bons”
sábado, 21 de fevereiro de 2009
É isso aí - eu não vou deixar de te olhar (os pobres)
Ao ouvir a música citada com as brilhantes vozes dos poetas acimas evoquei a imagem dos 04 adolescentes de rua que os encontrei as 22:30 h. ao retornar da Faculdade que sou professor, no sinaleiro parado, ao passar disseram: "oi tio Pio", o sinal abril e fui embora. E o Seu Jorge continua cantando a música que diz: 'Eu nao vou deixar de te olhar'.
Garantir Renda Mínima para Todos

As intenções da Categoria “Renda de Cidadania”
Idéia Fora de Lugar? Nem direita nem esquerda?
Parece uma idéia louca: Garantir uma renda básica para todos, independente de cor, credo, condição social, idade…e sem qualquer contrapartida.
Não segue a lógica sobre a qual nossa civilização se ergueu.
Uma idéia aparentemente fora de lugar.
Agride, particularmente, o credo estadunidense do “hard work”.
Parece um incentivo à vagabundagem.
É mal vista pelos patrões, que temem ter que elevar salários.
Alguns sindicalistas também destestam a idéia porque temem que rebaixe os salários.
No entanto, há grupos pelo mundo que a discutem seriamente.
Grupos dispostos a avaliar todos os argumentos, prós e contra.
Sabemos que não há experiência civilizatória suficientemente grande para afirmações peremptórias.
Não passamos ainda pelo teste da prática, num sentido amplo (A experiência do Alaska é importante para estudos mas tem muitas peculiaridades, próprias de um estado pouco povoado e com muito petróleo).
No entanto, o crescimento da capacidade de produção, a destruição dos recursos naturais, a vida dura de bilhões de humanos, a loucura civilizatória, a desilusão do comunismo real e do capitalismo real, abrem espaço para a proposta.
Ao menos para o estudo da proposta.
As crises cíclicas do capitalismo tem um pano de fundo em comum: a desproporção entre a capacidade de produzir bens e a capacidade de consumí-los.
Seja qual for a causa que detona uma crise específica. O pano de fundo está lá: Concentração de renda, real e fictícia, miséria no entorno da riqueza.
Abraçar a idéia, como abraço há muito tempo, não a justifica nem revela o leitmotif. Afinal qual o sentimento profundo que me leva a abraçá-la?
Não me movo pelo sentimento religioso. Se o homem é o único ser à imagem e semelhança de deus, a renda básica poderia se justificar por aí.
Não me movo pelo humanismo.
Se a crença de que o humano é sagrado, a renda básica poderia se justificar por aí.
Se acreditasse que todo homem e toda mulher são bons e agradáveis, a renda básica poderia se justificar por aí.
Se nutrisse um amor por toda a humanidade, a renda básica se justificaria por aí.
Espanta-me a rapidez como um povo oprimido se torna opressor, como elites e povos colonizados querem se colonizadores.
Após longos anos, deixei de ser humanista.
Sou movido pelo sentimento de que a “vida é um sopro” (apud Oscar Niemeyer).
Até onde vemos, estamos sós. Temos apenas a nós mesmos para partilhar o desemparo mais profundo frente à insignificância da nosso tempo de vida.
A experiência histórica desmoralizou (mas não destruiu) mitos que dominaram nossas culturas: o privilégios dos reis, a meritocracia (ver Nassim Taleb), o destino divino dos povos, a missão libertadora da classe operária para toda a humanidade , e muitos outros.
Então, como se declarar para o mundo?
Simples. Se depender de mim, a imensa capacidade produtiva alcançada pelo progresso tecnológico, com banhos de sangue, carnificinas e massacres dignos da mente mais doentia, teria um pressuposto: renda básica para todos, pelo simples fato de existir num mundo dos homens em que a propriedade particular é garantida por leis e pela força.
É uma idiotice achar que muitos ficarão satisfeitos com a renda básica e não irão trabalhar. Não é esta a realidade.
Pode ser que alguém que receba, digamos R$ 200,00 por mês de renda básica não queira trabalhar para receber R$300,oo. Experimente oferecer R$600,00. Experimente oferecer um trabalho decente.
Pessoas que ganham R$ 4.000 se esforçam para ganhar R$ 6.000,00.
Pessoas que ganham R$ 480 se esforçam para ganhar R$ 520,00.
Você é capaz de conceber que milhões de brasileiros que passam horas na condução para ir ao trabalho, passam pela mais absurdas humilhações, movidos pelo desejo de ter segurança financeira e um consumo básico, vão se conformar com uma renda menor do que o salário mínimo?
A Xuxa, o Daniel Dantas, os Marinhos, os Frias, os Mesquitas, vão parar de trabalhar? Você vai parar de trabalhar?
Talvez um ou outro mais preguiçoso pare. Mas uma minoria não deveria impedir o direito da maioria. Não é porque existem idiotas políticos que vamos impedir a maioria de votar, não é mesmo?
O quanto isto custa? O quanto isto poupa?
Os americanos não nascem mais num país a ser desbravado, com opurtunidades vastas, terras ao alcance da mão e da espinguarda que, tão rapidamente, arrasou povos indigenas.
Muros cercam a outrora terra das oportunidades, por dentro e por fora.
Não nascemos mais num mundo de águas limpídas, terras públicas, de farta coleta. Todos pagamos um preço pelo progresso.
Se entrar numa floresta pública para caçar ou morar posso ser preso, condenado e enjaulado.
Ter uma renda básica garantida não é nada inédito, para alguns poucos.
Nossa sociedade aceita o ócio dos agraciados pela sorte. Na megasena ou na loteria da vida, da genética.
Muitos herdeiros viveram, e vivem, com muito mais do que uma renda básica, sem qualquer contrapartida. Apenas pela sorte de terem nascido reis, príncipes ou filhos de milionários.
Aqui o ócio pode ser destrutivo. Pais ricos, filhos pobres. Vício e perdularismo. Esnobes gastadores. Nada a ver com uma renda básica.
O ócio, se houver, da renda básica não é destrutivo. É ermitão. Contemplativo. Não há riqueza a destruir. Há recursos a poupar.
Uma renda básica dá liberdade. Liberdade para dizer não à humilhação. Liberdade para um estudante decidir estender seus estudos, em troca de uma vida temporariamente frugal.
Liberdade para um pedreiro querer aprender a tocar música.
Não será o paraíso. Provavelmente a família de algum pedreiro irá se atormentar e atormentar o pedreiro que deixar de trabalhar, por um tempo, para ser músico por um tempo.
Pode haver até morte por causa da renda básica.
Há mortes por causa dos automóveis. Com certeza bem mais do que haveria pela renda básica. E nós não banimos os automóveis.
À esquerda e à direita pululam críticas contra a Renda Básica.
O ideólogo da TV Globo, por exemplo, defende a tese de transferir renda apenas para os que passarem por testes antropométricos que comprovem os efeitos da fome.
Setores da esquerda acham que o povo tem que se organizar em comitês para consquistar e decidir quem receberá a transferência.
Algo como “só a luta conquista sem assistencialismo”.
Este raciocínio, estendido para a saúde e a educação, colocaria a obrigação para o povo se organizar em comitês para ter escola e posto de saúde.
À direita e à esquerda, há uma subestimação da luta política, aquela que organiza e dá forma à sociedade que queremos viver.
Meu leitmotif: uma postura frente a vida, que leva em conta a nossa experiência histórica, a nossa fragilidade frente ao universo e ao tempo.
Então, os posts sobre renda básica ficarão agrupados nesta categoria. Foi dada a largada. Participe.
PS: Haverá uma página vinculada a esta: Bolsa Família. Participei das discussões que criaram o programa. Tenho muitas recordações.
Aprendi demais com os participantes daquela empreitada. Não quero deixar o aprendizado perdido nos palimpsestos da minha cada vez mais frágil memória.