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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Acabo de sair de uma curso de capacitação docente - professores - do ensino superior que iniciou na segunda-feria(01/02), afiando as ferramentas de trabalho, folheando os mapas da caminhada, alimentado, nutrindo a cabeça e o corpo de código, símbolos e sinais que anima a vida.

Entre doutores, mestres e especialistas nas diversas ciências buscamos discutir - Qual o sentido da prática de ensinar? Quem é o sujeito que desejamos educar? A ciência teórica e a ciência prática digladiam na busca da eficiência e eficácia.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A juventude e a idiotia


A juventude convive na incerteza ordenando as práticas a partir de concepções de mundo, homem e sociedade primado pelo anarquismo e alienação de si enquanto sujeito histórico.
Há uma proliferação cultural ideológica da irresponsabilidade e do consumismo. A mídia nos diversos programas implementam tal conceito. O humorista da Rede TV, Zina, do "Pânico na TV", preso por porte ilegal de arma,no dia 16/01, deve ser transferido ainda neste domingo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O que está em jogo em Copenhague - teólogo L. Boff


O que está em jogo em Copenhague
autor: Leonardo Boff *

Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptamo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos.
O normal seria que a humanidade se pergunta, tal como um médico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.

É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas, mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os países industrializados; e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os países pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.


Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas, não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.

Tem razão a Carta da Terra quando reza: "Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo... Isto requer uma mudança na mente e no coração". É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.

De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.

Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.

Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.

Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.

Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho, comprometeremos nosso futuro.

Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra. No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir.

[Autor de Homem: Satã ou Anjo bom?, Record 2008].

* Teólogo, filósofo e escritor.



Fonte: www.adital.com.br

domingo, 13 de dezembro de 2009

Invenção da Veja: MST é movimento terrorista - dissertação mestrado


Entrevista com Najla dos Passos: A revista Veja e a invenção de um movimento terrorista

Leia a entrevista e revise os conceitos.


IHU - Unisinos *

Adital -
Desvendar as formas com que a "cultura de opressão" aos movimentos populares opera no Brasil é o objetivo da dissertação de mestrado "A revista Veja e a invenção do ‘MST terrorista’", de Najla dos Passos.
Sobre a imagem do MST construída pela mídia brasileira, mais especificamente pela revista Veja, e a representação do movimento pela sociedade civil, Najla conversou, por e-mail, com a IHU On-Line. "De brasileiros humildes e vítimas de um Estado omisso, os sem-terra, tal como os sertanejos de Canudos, foram transformados em representantes da ’sub-raça brasileira’ que, à margem da ordem e do progresso da civilização letrada, constituem a imagem do Brasil baderneiro e atrasado, combatido pelas forças hegemônicas que, desde a implantação da República, dizem querer um país moderno e civilizado, mesmo que apenas para uma parcela ínfima da população", lamenta. Najla tratou, ainda, de questões concernentes ao histórico do movimento no país, ao instrumento teórico do "materialismo cultural", utilizado em seus estudos, além da relação do MST com o governo Lula. "O governo Lula, apesar das relações históricas com os sem-terra, nada fez para efetivar a reforma agrária que o movimento tanto anseia. A contribuição da administração do PT ao setor foi tão ínfima que João Pedro Stedile chegou a declarar, em entrevista à imprensa, que Lula operou uma verdadeira "contrarreforma agrária" no campo brasileiro", lembra.


Najla dos Passos é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Já atuou como professora da Faculdade de Comunicação Social da Universidade de Cuiabá (UNIC). Atualmente, trabalha com assessoria de imprensa em Brasília (DF).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Você faz um resgate histórico dos trabalhadores que lutavam por terra que vem desde o descobrimento. Qual a imagem que o povo sem-terra teve nesses momentos históricos, como quando os portugueses chegaram ao Brasil, depois com a vinda dos portugueses etc.?

Najla dos Passos - As classes dominantes no Brasil sempre foram extremamente hábeis em utilizar o repertório cultural disponível nas suas respectivas épocas para desumanizar os mais pobres, os excluídos. Quando os portugueses chegaram ao Brasil e encontraram os índios vivendo fartamente e sem conceber a ideia de que a terra não era um bem comum, usaram todo o arsenal possível no repertório cultural da época para convencer o mundo de que eles eram selvagens, atrasados, boçais... que não eram seres humanos. Com isso, justificavam a prática de extermínio que utilizavam contra aqueles que não se deixavam catequizar, não aceitavam a nova ordem estabelecida. O pior é que muito dessa visão distorcida dos índios sobrevive até hoje: quantos ainda os associam à preguiça, ao atraso, à inabilidade para o trabalho?

Da mesma forma, os negros africanos foram tratados como "objetos animalescos", sempre associados ao perigo e à selvageria. Quando resistiam à escravidão, tornavam-se, como os índios, objeto de repressão impiedosa. É interessante notar que os termos bando, quadrilha e mesmo terror já eram amplamente utilizados pelos jornais da época para transformá-los em coisas. Data desta época, também, as primeiras referências ao discurso de que o trabalho na terra é indigno dos homens cultos, letrados, dotados de civilidade. Decorrência disso é a construção da ideia de que a foice, mais do que um instrumento de trabalho, é uma arma. Ideia que corrobora com a associação largamente difundida até nossos dias da relação entre trabalhador rural e criminalidade.

Infelizmente, nem mesmo a Proclamação da República alterou esse estado de "coisas". Os sertanejos que se rebelaram contra a miséria e a falta de oportunidade que assolavam o campo também foram marginalizados pelo discurso dominante. O melhor exemplo é, sem dúvida, o tratamento destinado aos sertanejos de Canudos, até porque isso se deu em uma época de grande evolução dos recursos necessários para a confecção e a distribuição dos jornais. Os pobres camponeses foram tratados como animais retrógrados que "manchavam" a construção do Brasil moderno, livre, republicano. Foi aí que a construção cultural da dicotomia entre a cidade/civilização versus campo/atraso, que a imprensa hoje faz parecer tão moderna e atual, firmou-se como premissa do discurso republicano. Mesmo os imigrantes brancos que vieram tentar a sorte no Brasil foram tratados de forma pejorativa e discriminatória, mostrando que a questão de classe, neste aspecto, sobrepõe-se às questões de gênero e raça, por exemplo.

IHU On-Line - Um dos questionamentos de sua dissertação é no que se baseia o discurso que considera o MST terrorista. Como você acha que a mídia brasileira construiu esse estereótipo?

Najla dos Passos - A postura da mídia convencional de equiparar o MST a organizações terroristas sempre me pareceu tão leviana, que fiquei sinceramente intrigada com o tema. Como jornalista, acompanhei por muitos anos, trabalhando para a própria imprensa convencional, o processo de ocupação de terras, os conflitos agrários, as ações do MST. Conhecia a processo suficientemente bem para ter clareza que o MST é um movimento pacífico, desarmado, disposto a utilizar muitos dos trâmites democráticos a que temos acesso na nossa sociedade. Com a minha pesquisa, descobri que foi justamente nesses elementos já cristalizados na nossa cultura que essa associação absurda se baseava. As imagens se repetem: é o sem-terra perigoso, indomável, sempre "armado" com foices, o analfabeto boçal, ignorante e atrasado que impede o país de se desenvolver, modernizar-se e tornar-se o tão sonhado país do futuro... são loucos insanos, como os terroristas islâmicos, pintados como fanáticos dispostos a impedir a modernidade global até mesmo com a própria vida, se necessário for. O MST, de vítima, passou a ser apontado como a principal causa da violência no campo, como o responsável por crimes de toda natureza, foi associado a facções criminosas urbanas como o PCC, acusado de fanatizar as crianças, incentivando-as a adotar posturas ideológicas consideradas atrasadas, como o comunismo e o socialismo, e, enfim, considerado o responsável por colocar em xeque toda a ordem democrática estabelecida no Brasil.

IHU On-Line - E pela Veja, especificamente?

Najla dos Passos - A Revista Veja é um fenômeno editorial sem precedentes. É a quarta revista mais vendida do mundo, apesar de ser editada em um país que ainda envergonha pelo número de analfabetos totais e funcionais. Pela sua penetração, força política e mesmo pelo seu tempo maior de elaboração, funciona como uma espécie de usina ideológica da classe dominante, na qual são testadas as ideias que depois serão difundidas pelo restante da mídia comprometida com o capital. Desde que foi criada, no período mais duro da Ditadura Militar, contou com grande aporte de capital estrangeiro e sempre defendeu os interesses do neoliberalismo norte-americano acima de quaisquer outros. Não por acaso, elegeu o MST como o principal inimigo do avanço neoliberal no Brasil, desde o início dos anos 1990, e não mediu esforços para rechaçá-lo, direcionando a postura do restante da mídia neoliberal em relação ao Movimento. A diferença é que, até a eleição de Lula, a Veja associava o MST ao comunismo, ao perigo vermelho. Mas depois que o Brasil elegeu um presidente de esquerda, precisou buscar um novo discurso para reforçar os aspectos negativos do Movimento. E o encontrou justamente no discurso da Guerra contra o Terror, capitaneado pelos Estados Unidos, após os eventos de 11 de setembro de 2001.

Mas, convenhamos, que nem mesmo para Veja é tarefa fácil transformar um movimento pacífico e querido dos brasileiros em organização terrorista. A revista precisou visitar a fundo o imaginário cultural do brasileiro para descobrir meios de sustentar essa acusação. E qual seria a figura dessa nossa história sem fortes tradições terroristas que melhor se adequaria à imagem desses fanáticos religiosos atrasados, incapazes de entender as premissas do progresso? A Veja foi muito esperta em resgatar Antônio Conselheiro, personagem histórico que foi peça-chave na revolta de Canudos e que teve sua imagem amplamente deturpada pela mídia de sua época. Da falsa imagem de um Antônio Conselheiro fanático e insano, propagada pelo discurso hegemônico, a revista reconstruiu a figura de uma das mais fortes lideranças do MST, estendendo, assim, para ele, as características negativas atribuídas ao líder sertanejo do final do século XIX. Fundamentada nos preconceitos próprios da ciência da época contra os brasileiros pobres e simples do sertão, eternizados pela obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, a revista re-significou os sem-terra à imagem e semelhança dos conselheiristas, já mascarados e massacrados pela retórica propagada pela imprensa e pelos intelectuais do século XIX. De brasileiros humildes e vítimas de um Estado omisso, os sem-terra, tal como os sertanejos de Canudos, foram transformados em representantes da "sub-raça brasileira" que, à margem da ordem e do progresso da civilização letrada, constituem a imagem do Brasil baderneiro e atrasado, combatido pelas forças hegemônicas que, desde a implantação da República, dizem querer um país moderno e civilizado, mesmo que apenas para uma parcela ínfima da população.

IHU On-Line - Quais são os principais elementos apontados na acusação ao MST?

Najla dos Passos - São tanto elementos residuais da tradição do pensamento colonial, imperialista e republicano brasileiro, alguns já citados, como também elementos emergentes, próprios da cultura do capitalismo tardio, como o pânico generalizado da violência e do terrorismo, apropriado com o propósito de imputar o repúdio absoluto à simples ideia da existência do MST. Procurando carimbar o movimento como uma organização baderneira e beligerante, a revista chega ao extremo de divulgar uma ligação jamais comprovada entre lideranças do MST e do PCC, a organização criminosa criada por presidiários paulistas, responsável por alguns dos mais impressionantes episódios de violência urbana no Brasil dos últimos anos. Parecendo desconhecer o fato de que o MST é efeito, e não causa das mazelas de um país marcado por uma desigualdade ímpar e, por isso, violento, a Veja omite e adultera o discurso de sustentação do movimento dos sem-terra, até o limite de classificá-lo como intolerante e avesso à ciência, como ficou bastante claro na cobertura do episódio de ocupação da Aracruz. Como se a ciência, como qualquer outra forma de discurso, não fosse apropriada pelas forças hegemônicas para respaldar seus objetivos de manutenção do status quo.

IHU On-Line - Como esta construção influencia na imagem que os brasileiros têm do movimento?

Najla dos Passos - Em 1998, o IBOPE apurou que 80% dos brasileiros eram favoráveis à reforma agrária e apenas 12% eram contrários. Em 2003, uma nova pesquisa realizada pelo mesmo instituto revelou que 41% dos entrevistados se declararam ‘totalmente contra’ os sem-terra e outros 13% ‘parcialmente contra’. Os que se diziam ‘totalmente a favor’ ou ‘parcialmente a favor’ somavam 40%. 65% desaprovaram as formas com que o movimento agia, contra 30% dos ouvidos que aprovaram. O trabalho da imprensa neoliberal, portanto, influencia sim a imagem que o brasileiro faz do movimento. Mas não a determina por completo, como muitos teóricos da comunicação julgam capaz. A ação de outras forças sociais, nesse caso contra-hegemônicas, impede que essa ideia, embora dominante, torne-se unanimidade. Por isso a importância do trabalho de divulgação e de denúncia dos jornalistas, militantes e intelectuais nos jornais populares, sindicais, na imprensa pública, nas universidades, nos fóruns sociais etc.

IHU On-Line - Sua reivindicação é que o MST, entra governo e sai governo, permanece ofendido pela imprensa neoliberal. O governo Lula foi uma decepção para o movimento?

Najla dos Passos - Não posso, de forma alguma, falar pelo movimento. E sei que a questão é bastante controversa, inclusive dentro do próprio MST. Mas é impossível negar que, hoje, a concretização da reforma agrária no Brasil permanece como uma utopia distante, e o futuro do MST como uma incógnita. O governo Lula, apesar das relações históricas com os sem-terra, nada fez para efetivar a reforma agrária que o movimento tanto anseia. A contribuição da administração do PT ao setor foi tão ínfima que João Pedro Stedile chegou a declarar, em entrevista à imprensa, que Lula operou uma verdadeira "contrarreforma agrária" no campo brasileiro. A média de famílias assentadas por ano foi inferior, inclusive, do que as beneficiadas com um pedaço de terra durante o governo Fernando Henrique Cardoso. E nada de infraestrutura, nem de liberação de crédito rural. Por outro lado, há companheiros que apontam a redução da violência no campo e o aumento da renda dos trabalhadores rurais por meio de programas sociais como o Bolsa Família, como avanços dos governos Lula... Uma coisa, porém, é certa. A ofensiva da imprensa neoliberal contra o MST continua intensa, mude ou não o governo e a conjuntura. É possível concluir também, a partir dessa pesquisa que, ao contrário do que a revista Veja apregoa em nome das forças hegemônicas, não é o MST que é anacrônico e atrasado, mas sim a elite brasileira comprometida com o ideário neoliberal. Afinal, é essa elite que precisa se ancorar em um discurso ultrapassado, insustentável cientificamente, já largamente desgastado pela imprensa de séculos atrás, em tentativas desesperadas de combater a luta dos trabalhadores em geral, nominados por ela de "classes perigosas", em uma república proclamada pelo alto.

IHU On-Line - Como a ótica do materialismo cultural de Raymond Williams é tratada neste estudo?

Najla dos Passos - Considero Williams um autor fantástico, justamente porque ele amplia a visão marxista mais tradicional de que a cultura é apenas um reflexo das relações econômicas estabelecidas, seguindo a trilha aberta antes por Gramsci e Bakhtin. Para o autor, a cultura é uma arena em que forças divergentes se confrontam na disputa pelo espaço hegemônico. Não está associada apenas à doutrinação e manipulação, tão ressaltada pelos autores que se fixam no estudo da ideologia. E também não é apenas uma experiência particular, uma investida artística. É, sim, todo um modo de vida, influenciado e re-significado, inclusive, pelas próprias contradições de seu tempo histórico. É um instrumental que nos permite, por exemplo, entender porque nem todos os brasileiros consideram o MST uma organização terrorista, apesar da grande ofensiva da imprensa. Permite-nos também entender como elementos residuais, ligados às mais antigas tradições, podem se fazer atuais e presentes para re-significar situações novas, considerando e legitimando o estudo das concepções literárias, da história das ideias, das crenças científicas e mesmo das teses intelectuais. E, a partir deste entendimento, permite-nos criar novas formas de lutar para reverter esse quadro.

IHU On-Line - Porque a data de 11 de setembro é um marco para o seu trabalho?

Najla dos Passos - O 11 de setembro inaugura a chamada Guerra contra o Terror que, com a desculpa de exterminar o terrorismo do mundo, cria novos mecanismos e elementos para desumanizar o diferente, impor preconceitos e exaltar supremacias. É o episódio que inaugura, para utilizar as palavras de Williams, a principal "estrutura de sentimento" (ou a característica mais particular) da nossa geração: uma geração assustada, com um medo irracional de um perigo que, muitas vezes, ela não consegue identificar racionalmente, e acaba direcionando-o, com a ajuda hábil da imprensa, ao pobre, ao negro, ao sem-terra, ao favelado, aos "de baixo", como definiria Williams. Uma geração tão bombardeada por imagens e informações que acaba perdendo suas referências de realidade e, acuada, começa a acreditar que a causa da violência está nos assentamentos, nas periferias, nas favelas, e não em um sistema econômico que exclui cada vez mais, que destrói o meio ambiente, que produz a guerra.


* Instituto Humanitas Unisinos

domingo, 18 de outubro de 2009

Racismo e discriminação racial: diferenças


Sociologia. (livro do Ali Kamel - diretor da Rede Globo)
No Brasil 42,6% da população é de cor ou raça parda, conforme Relatório do IBGE, 2006. Isto significa que, de cada 10 pessoas em uma sala de aula 4 deveria ser negras ou pardas. Donde estão estas pessoas de cor ou raça parda? Na sala de aula de 20 temos 1. Será que os negros são ociosos e não predispostos ao estudo? Ou falta de oportunidade ou condições para tal empreendimento?
Na outra ponta, ao falar sobre racismo ou discriminação racial a maioria diz que não comete tal ato, pois considera o negro e o branco como iguais. Na realidade tal discurso não se efetiva na prática. Onde estão os negros no Banco do Brasil, CEF, gerente de grandes empresas, etc.? O racismo e a discriminação existe e é disfarçado. O que é racismo e discriminação? Qual a diferença? No Relatório das desigualdades raciais no Brasil 2007-2008, aponta que racismo associa práticas sociais e culturais a determinado povo como se fosse de sua natureza inata e não condicionantes de fatores histórico-sociais. O racismo cultural associa um grupo de pessoas ter cor de pele e traços fisicos (branco, negro, indígena ou amarelo) como se determinasse o seu modo ser individual e coletivo como pior ou melhor. O racismo é a identificação social(conceitual) no grupo como inferior, pior na relação com outro.
A discriminação racial é ato, quando a pessoa a partir de conceitos racista toma atitude, postura que efetiva tal concepção de ser inferior e superior, fraco e forte, pior e melhor, impuro e puro, considerando a cor da pele e os traços físicos.
A discussão sobre cotas raciais e a rejeição advém do desconhecimento e do medo do conflito em assumir que é racista e discriminador. Assumir uma atitude que os conceitos interno - fundamentação conceitural e moral - digladiam a rejeição.
A cultura negra na sua origem africana e posteriormente na condição de escravizada a identidade negra se firmou como reação a unificação cultural branca e o etnocentrismo. Os negros não se identificavam como diferentes. A cultura negra se mesclou sincreticamente com os amerindios e europeu e se amalgamou com a propria cultura brasileira. a cultura negra é vista aspectos dos grupos folclóricos: carnaval, capoeira, etc. A ação do negro só é valida de passar pelo filtro do dominante branco, ou do braquecedor. No carnaval quem observa no camarote são a maioria branca, com a cultura européia que observa os negros e seus aliados culturais ou afro-descendentes.
Nem todos os negros se identificam com sua origem afro-descendente e das lutas contra a escravidão, racismo e liberdade, afirma o Relatório das desigualdade raciais, da UFRJ(2009),expressando a ideologia racista à brasileira. Alguns negros dizem: 'sou contra a política das cotas porque é uma forma de racismo, considerando que o negro é um inferior'. Tal premissa trata a política pública de combate ao racismo é algo individual e não coletiva ou de ação pública do Estado. OS desiguais em condições devem ser tratados (presente) nas mesmas condições como se fosse (futuro)iguais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Os (des)caminhos da educação e a idiotia


......................................Educação - Os limites na educação advém de quatro vetores em que associam situações materiais e imateriais, e conceituais. O primeiro vetor são as instituições de ensino que não dispõem dos meios necessários para o ato de ensino-aprendizagem, ou aprendência (Asmann,2006), desde a educação infantil, fundamental, médio e superior, no município, estado e União. O segundo, são as formas de financiamento e partilha dos recursos com um sistema de gestão e controle que é burocrático e não social. Os atores responsáveis pela educação (família e alunos, Estado, acrescidos de professores e demais servidores - cf. LDB, lei nº 9.394/96)não participam do processo. Os valores orçados e aplicado em cada IE (instituição de ensino) não tem a devida publicidade e participação popular. Sugerimos que cada família recebe em casa, pelo correio, informe sobre os valores e que o Estado motive a participar na elaboração dos projetos e controle dos recursos. Nos setores populares acredito que haverá massiva participação se perceberem seriedade na proposta e não uso político eleitoral. As escolas públicas foram privatizadas para os interesses das oligarquias locais (72% dos pequenos municípios) e para o capital. As privadas para resguardar o 'darwinismo social' e o status quo da classe média decadente que sobrevive a ilusão de ser 'opinião pública'.

O terceiro vetor advém da fragmentação, divisão, obscuridade des-unidade conceitual quanto as razões antropológicas, filosóficas e teleológicas da educação e da prática pedagógica docente. Os docentes não estão em crise. Observem a reação da PUC, USP, Universidades estaduais. As escolas de formação docente de-formam, pois estão pautados numa teoria que justificam a prática baseado no primado do 'formação para o capital' e 'socialização para a harmonia social'. A contradição é anomia. O liberalismo pedagógico transmuta para o idealismo hegeliano. O último vetor é a Mídia local e nacional que dissemina a ideologia do 'futuricídio' - morte do futuro. O quadro de morte acrescido de violência tecem as relações educacionais dando-lhe uma identidade, e o quadro de viva - os projetos sociais significativos - são tratados pela mídia como periféricos, por isso o Brasil melhorou mas tal a escola continua péssima, e os resultados das notas da Prova Brasil são expressões de tal - quadro da morte. Ou interpretamos a realidade ou nos devora. A solução do Brasil não passa pela educação (superestrutura) mas sim pela economia e pela descentralização da propriedade. Estamos engatinhando, rumo a escola, digo educação.

Prof. Joaquim Pacheco de Lima

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Filiação partidária: projeto de sociedade ou pessoal?

POLÍTICA - O ministro Celso Amorin, das RElações Exteriores, filia-se ao PT.
As críticas ao ministro pela explicitação da opção política deve ter em pauta os seguinte cuidados(pressupostos): – qual o conceito de partido? O que é ideologia? Qual o projeto de sociedade que estão se plasmando entre os grupos sociais e atores históricos? Na complexidade do real há na sociedade brasileira três ou no máximo quatro correntes de pensamento e as outras são apêndice ou ramos (igrejas denominacional) de uma ou outra linha.
A fragmentação dos grupos institucionais políticos dos parte da estratégia de predomínio da oligarquia e aristocracia na preservação do poder. A ‘demonização’ da organização política cunhando prejorativamente como ideologia no sentido negativo nada mais é que medo de des-cobrir a ‘ideologia’ de manutenção de um modo de dominação desde os lusitanos, vide o jurista Raimundo Faoro em ‘Os donos do poder: a formação do estado patronialista’ (1966).

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Os ANTI-LULAS ou anti-povo e anti futuro

Cultura Política. Após a apresentação do presidente Lula, em rede nacional de TV, 05/09/2009, sobre o Pré-sal em que didaticamente expos o projeto com objetivo de aplicar os resultados em educação, ciência e tecnologia, e desenvolvimento humano recebeu crítica da mídia corporativa, vide manchete do jornal Estado de São Paulo - Estadão em 07/09/2009.

Lula pede mobilização contra ''interesses menores'' no pré-salEm pronunciamento em cadeia de rádio e TV, Lula defende pressão sobre deputados e senadores


Vejam o comentário de um leitor do Estadão, anti-lula.

O Brasil está definitivamente apartado em dois tipos de cidadãos. OS MANIPULADOS são a maioria que apoia e mistifica o graannde herói macunaímico Sr. Lula Ignaro da Silva. OS NÃO-MANIPULADOS são minoria e estão necessitando relaxar do distress causado pela consciência da catástrofe separatista inevitável que se aproxima. Os manipulados são analfabetos integrais ou funcionais sem informação e/ou sem capacidade de discernir o que é enganação política ou proposta honesta de desenvolvimento amplo. São geralmente pobres ou se locupletam de privilégios da nomenklatura, licitações fraudulentas, etc. e são manipulados com o prazer de enriquecer. E assim, de pré-sal e biocombustíveis, de promessa ilusória em mais promessa ilusória, a nação separada caminha célere rumo ao socialismo totalitarista da nova espécie “manipuladura”. O realmente lamentável nessa estória é que haverá uma dolorosa frustração quando as promessas não cumpridas forem claras. E uma nação mais sofrida e pobre em vários aspectos importantes

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Gripe A (H1N1) - Estão negociando com a saúde de nossos filhos.

SAÚDE. "Nunca aceitemos manter num estado paranóico e sufocador.' 'Porque estão jogando com nos outros, estão negociando com a sua saúde e a saúde de seus filhos.', conforme o vídeo do Youtube(2009), de Julian Alterini, argentino.

Vale a pena assistir: http://www.youtube.com/watch?v=CcgCBiyGljM&feature=player_embedded

Fico preocupado com o poder da mídia, neste caso. Os governos (estadual - representado pelo secretário de estado, cambeense, Dr. Gilberto Martins, colega das lutas políticas, médico sanitarista sério; e pelo federal, ministro da Saúde, técnico, idem sério e responsável, que não trata a saúde com questão política de poder) estão amarrados. Será? ou é medo de um poder que é concedido a alguém que não tem legimidade para tal, considerando sua postura antiética. A multidão caminha nos holofotes da mídia, pois o contraditório não se apresenta.

Assista o vídeo novamente e faça uma revisão. É preciso agir. As escolas pararam, mas o shopping, o futebol, as empresas com os transporte coletivos, as igrejas e outros espaços continuam. É o simulacro. E tem gente que acredita.
Esperança, chegará um dia que o contraditório, e 'verdade liberta', aparecerá.