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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Saida de Sarney do Senado e o Simulacro



Política. A saída do José Sarney da presidência do Senado após denúncia de improbidade administrativa e corrupção cuja mídia corporativa em uníssono blandiram nada mais é que um simulacro. O pedido da mídia e do senador mais sujo Arthur Virgílio (PSDB-AM) é uma forma de dissimulada de esconder os outros senadores envolvidos em tal ato ilícito.


Tal fato deve provocar uma reflexão essencial: qual o papel e função do Senado? Na atualidade é uma cópia precariamente feita da Câmara Federal. A forma de composição é hilariante, visa firmar oligarquia e cimentar o 'mandonismo' tão criticado por Raimundo Faooro, na clássica obra 'Os donos do poder'.

sábado, 27 de junho de 2009

Os modelos econômicos: neocon; proteção social; 'socialista'.


Economia. É notório no Brasil três modelos econômicos implantados, em processo de implantação e outro em projeto. O modelo econômico conservador/neoliberal, o de proteção social e sustentável, e o(s) 'socialista(s)' tentam construir justificativas na busca da sua factibilidade. O presidente Lula na sua passagem por Londrina (24/06) ao lançar o Plano Agrícola 2010-2011 disse que seu projeto é tornar a classe pobre em classe média e consumidora. Negou a diferença entre agricultura familiar e agronegócio. A parte a estratégia lulista de conformar o seu discurso conforme o público na busca da hegemonia ideológica evitando a fricção desnecessária para gestão do poder.


O programa político do PSDB na TV (dia 25/06) foi expôs a visão neoliberal de poder. As administrações públicas do PSDB e DEM primam pela implementação do modelo conservador de poder e neoliberal na economia, isto é, reforça os poderes dos oligargas locais nas relações do micro poder e nepostismo, e por outro lado a redução do Estado e ampliação do poder mediador do mercado.

Os ditos 'socialistas' debatem a proposta de um poder ideal longe da oligarquia nas relações de poder e de produção pela via da distribuição da propriedade e da produção. A marca do novo advém do fortalecimento do poder comunitário por meio da sociedade civil autônoma e independente. Se a política é a arte de tornar possível o impossível, descobrir o possível no impossível é a arte. Os socialista são entre aspas devido a diversidades de correntes.

Protesto contra a violência - os ricos: ja aos pobres aceitem.


Ao ler a manchete da Folha de Londrina (27/06/2009): Londrinenses protestam contra violência Assassinato de empresário mobiliza comerciantes; pela manhã, ato foi organizado por familiares de bombeiro morto em acidente , na condição de pesquisador sobre a violência infanto juvenil e reação da comunidade e sociedade, cotidianamente neste ano de 2009 vasculho jornais, revistas e faço contato com organismo sociais, percebo que a ideologia de exclusão social e de classe é predominante. A demanda por segurança pública pautada pela mídia é os da classe de cima. Todo dia morre várias pessoas inocentes, vítimas de crimes contra a pessoa ou a propriedade. É meramente citado em nota de página os jornais. Qual a classe dessas des-infelizes vítima? A classe dos de baixo - subalternas. Não há manifestação, mas sim acomodação, conformismo. É o destino. Não há nada da fazer. A mensagem é de que 'o fenômeno da violência social, a inoperância do Estado e de mobilização contestatória da sociedade é ineficaz considerando a 'força e poder' dos organismos e grupos de poder. Cabe ao subalterno, enquanto indivíduo ou grupo comunitário aceitar tal situação. Ao contrário da outra classe - os de cima - ou os do meio.
A eles a mídia amplia o som da ação contestatória. Em Londrina o Rádio Paiquere FM, por meio de seu diretor Ricardo Espinoza, autorizou o presidente do Conselho Municipal de Segurança, Claudio, a promover reunião com entidades da sociedade civil e organismo público para debater o assunto e proporcionará divulgação e apoio ao evento. Disse Espinoza: 'chega de falatório, é hora do fazetório'. Brilhante a atitude do radialista católico. Neste e outros eventos tem manifestado atitude favorável aos setores populares. Aos movimentos das comunidades a mídia, em geral, tem dedicado pouca atenção.
A reação da comunidade contra a violência, dos setores marginais da sociedade e do Estado, tem sido de criminalização. Em São Paulo na comunidade Heliópolis e n oRio de Janeiro a reação a violência policial foram tratados como ação de traficantes. Com as denúncias e a investigação promovida pelos setores dos direitos humanos somente na blogosfera houve espaço de divulgação e formação de idéias na relação juízo de fato x juízo ético.
O sentimento de quem indigna-se com a violência a qualquer pessoa - ceifando a vida, e percebe-se a seletividade é de revolta contra a mídia corporativa que é de classe. A classe dos de cima. O de baixo - subalternos - percebem tal ato que cimenta a 'apartação social' cingindo uma sociedade dividida sem dialogo e parceria na luta contra a desigualdade social, conforme artigo 3º na Constituição Federal.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O avião caiu a culpa é do Lula - ( mídia)

É Hilário começar um preanúncio do futuro proposto pela mídia. O avião caiu a culpa é do Lula, ou da Dilma. Se houvesse um top five da mídia, os 04 top primeiros dos governistas. E o 5º dos amigos dos governo. Entonces, hay gobierno, io soy contra. Há um reporter da grande mídia, kennedy alencar (Folha de São Paulo) que tem uma estratégia sutil de criticar acusando.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Petróleo é nosso, PSBD!


Atenção,
vamos participar da Campanha promovida pela Associação do Movimento dos Sem Mídia - MSM.

O bordão “O petróleo é nosso” foi criado pela Campanha do Petróleo, desencadeada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e por nacionalistas. Daquela campanha, nasceu a estatal petrolífera nacional, a Petrobras, em 1953.
O Brasil, desde aquela época, vem se dividindo entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro. Em 1938, o governo Getúlio Vargas determinou a exploração de uma jazida de petróleo em Lobato, na Bahia, dando origem ao Conselho Nacional do Petróleo. Desde então, as jazidas minerais passaram a ser propriedade do povo, sendo vedada a propriedade privada.
Criar a Petrobrás, no início dos 50, foi uma decisão acertada. Naquela época, o Brasil importava 93% dos derivados de petróleo que consumia. Hoje, somos autossuficientes.
O monopólio estatal do petróleo durou 44 anos. Foi quebrado em 16 de outubro de 1997 justamente pelo governo Fernando Henrique Cardoso e pelo partido que lhe dava sustentação, o PSDB, que agora, diante da maior descoberta petrolífera da história do país, novamente avança sobre o petróleo a fim de entregá-lo ao monopólio estrangeiro.
A CPI da Petrobrás, recém-criada no Senado Federal por iniciativa do PSDB e a mando evidente da eminencia parda da agremiação, o governador José Serra, é o mais novo avanço dos entreguistas de que falava Getúlio Vargas, aos quais o país se opôs e criou a empresa petrolífera.
Como disse recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a descoberta e o início das operações de exploração do pré-sal constitui a “Segunda Independência” do Brasil. Através dessa riqueza imensa que jaz em nosso litoral Sudeste, o Brasil poderá ascender ao Primeiro Mundo talvez em uma década, se conseguirmos manter a riqueza a salvo das garras tucanas.
Não é por outra razão que venho propor a criação da nova campanha em defesa das riquezas minerais brasileiras, sugerindo o bordão “O petróleo é nosso, PSDB!”
E, sem titubear, começo propondo o início dessa campanha num ato público em defesa da Petrobrás a se realizar o quanto antes diante do diretório estadual do PSDB em São Paulo, no bairro de Indianópolis, na avenida que leva o mesmo nome, pois o ataque à Petrobrás vem do mesmo partido que começou a entregar o petróleo brasileiro há 12 anos e que quer voltar ao poder no ano que vem para continuar sua obra nefasta.
Como sempre, dependerei de vocês para saírem pela internet propondo em sites e blogs a medida que anuncio aqui em defesa dos interesses nacionais.
Será um ato ao qual se pretende a adesão de partidos, sindicatos, movimentos sociais e da sociedade civil de forma geral. Diante do previsível bloqueio que a imprensa dará a esta iniciativa, só podemos contar com vocês, leitores, e com a força da internet.
Na semana que vem, novamente iniciarei contatos para difundir o ato público proposto. Desta vez, porém, será no âmbito maior de uma campanha que se espera que se espalhe pelo país.
Caso esta proposta receba as adesões minimamente necessárias dos leitores deste blog, novamente o Movimento dos Sem Mídia assumirá o compromisso de organizar outro ato em defesa da cidadania. E vocês, ao aderirem, comprometer-se-ão a difundir esta proposta onde possam - na internet, nas ruas, entre a familia, entre os amigos, onde cada um puder.
Primeiro em São Paulo, na terra da mente criminosa que está por trás de tudo isso, a mente obscura de José Serra. Depois, pelo país inteiro. A campanha deverá durar enquanto durar a CPI da Petrobrás, com atos públicos espalhando-se pelo país até chegarmos a um ato maior, que sugiro que seja feito em Brasília diante do Congresso Nacional.
Pronto, a sorte foi lançada. A reação, agora, dependerá de cada um de nós, de nosso empenho em difundir e defender os interesses do Brasil. Que Deus nos ilumine e ajude a manter as garras tucanas e reacionárias longe das riquezas nacionais.
_________________________
Contamos com a participação e criatividade na reação.
Prof. Joaquim

domingo, 17 de maio de 2009

'Mate o ladrão', por favor: a 'lógica sentimental' sem lógica.

Frente a noticia: www.bonde.com.br

16/05/2009 -- 15h20 - Homem é baleado após furtar moto em Cambé.


Leandro
Hoje, 01:27 - Post #1
Gente Tinha que ter matado!!! Assim que se Recupera vai roubar outras pessoas de Bem eu sou motoqueiro Ja passei por isso é a coisa mais horrivel do mundo! AFf Gente assim merece a punição mais severa Ser Morto! Ou pelo menos deixa alguem assim Tetraplegico pra nunca mais rouba! Revoltante isso!!

Comentário de Joaquim:

Leandro, o sentimento da vítima de um ato infracional é de revolta, e o sentidos aguçam uma reação I-RACIONAL, sem uso da razão. O ladrão, Eduardo Mello, move-se no ato de roubar sem uso completo da Razão. A sociedade, entre os membros, fez um Pacto Social escrita na Constituição (1988) e reordenada nas leis complementares e cabe aos representantes do Estado o uso da força. E todos devem respeitar o Pacto senão sofrerá as dores da lei. O Eduardo descumpriu e sofrerá com restriçao na Liberdade. O seu ato iracional é crime, designado como Apologia ao Crime de Extermínio, exercício arbitrário da força. Os traficantes fazem tal ato. Imagine, você atrasou o pagamento do energia eletrica, a Copel envia uma representante na sua casa e dá um tiro na sua cabeça. Vamos - pensar - estudar a pessoa do Eduardo, qual a sua história de vida, desde a infância e adolescência, juventude, família, grupos de amigo? O Estado, prefeitura, a família, a comunidade, sociedade proporcionou oportunidades, valores, princípios, educação, convivio saudável? Ele se acomodou e aprendeu valores errado, contra o Pacto. Por não aprender a usar a razão - refletir em profundidade - movido pela emoção, idéias imediatas de um 'outro im-becil' começou a roubar. Qual a diferença entre as idéias do Eduardo e a sua Leandro? Vamos fazer a 'Corrente do Bem", cada bem que fizer ele se multiplica. Participe de projetos sociais, da política elegendo gente do bem. Denunciando as injustiças, pois a Justiça é dos ricos. Então, não estou defendendo o ato do Eduardo, deverá sofrer os rigores da Lei. O Estado (no município, no estado, e União) não cumpre com sua função na totalidade, devemos eleger representantes para que altere tal situação a médio prazo. Use a razão.

sábado, 16 de maio de 2009

Uma análise sobre o trabalho a partir dos anos 80 percebemos o nexo entre educação para o trabalho e a socioprofissionalização. Vivemos uma crise do trabalho assalariado, com aumento da precarização e informalidade do trabalho. A noção de classe foi

sábado, 4 de abril de 2009

Política de Segurança, povo e política

Neste sábado (04/04) ocorreu na Audiência Pública sobre Segurança na Câmara Municipal de Cambé-PR, convocada pelo vereador Cecílio (PT). Encheu as dependências da Câmara, com a participação do prefeito João Pavinato, representante da Arquidiocese católica de Londrina, vereadores, delegado da policia civil e tenente da policia militar, e a técnica Aline representante da Secretaria de Estado da Criança e Juventude. Na plenária a participação de lideranças políticas, presidentes de associações de moradores, sindicatos, evangélicos, pastorais e outros. A audiência pública convocada para um debate ficou a desejar. Três questões destacam: primazia da política, participação popular, fragmentação e generalização do tema no debate.
Iniciou as aproximadamente as 9:00 horas e até as 11:09 minutos foi apenas de exposição, palestra das autoridades. Com o adiantado da hora a inscrição de fala do povo foi pontual. O diagnóstico do problema posto pelo delegado, Barroso - da 10ª DP de Londrina, de há 2.200 presos em Londrina, e as polícias assumem o papel de 'enxugar gelo' com carência de meios. Apontou diretrizes no primado de políticas públicas intersetoriais entre educação, cultura, saúde, segurança e trabalho e renda. Destacou a importância da participação popular. A fala do prefeito Pavinato que expôs a conexão entre segurança e família e sua evolução de história da cidade nos últimos 40 anos. Predicou a ação dos cristãos, no apoio as políticas de segurança, senão srá contraposto a identidade de cristão. No debate, Walmir Ferreira - morador do Jardim Tupi, contrapos dizendo que não se deve reduzir a ação dos cristãos, mas de todas as pessoas de boa vontade, seja evangélicos, cristãos e ateus.
A participação popular, com tempo reduzido de 2 minutos para pergunta aos membros da mesa, era notório que o povo queria discutir, debater o tema e indicar propostas. O evento careceu de cultura de participação livre, posta e proposta da sociedade civil, como superação do dualismo político: situação-oposição. Na história de Cambé raramente houve participação popular, que ultrapasse os 'corre-legionários'.
Concluiu-se com a proposta de Walmir Ferreira de constituir um Fórum Municipal Permanente de discussão sobre Segurança Pública. A história é uma construção. O novo só surge do 'parto'.

sábado, 28 de março de 2009

Caros alunos e colegas professores universitários,
caso seja leitores da (in)Veja, Folha de São Paulo, Isto é, e telespectadores do Jornal Nacional, Jornal da Band e telejornais da SBT e comunicar tais noticias aos alunos, sugiro ler o texto abaixo (site da Adital). Após a reflexão construa a sua idéia.
Prof. Joaquim P. Lima

A mídia e os movimentos sociais
Atualizado e Publicado em 27 de março de 2009 às 09:37
25 DE MARÇO DE 2009 - 13h01
Dez regras da grande imprensa ao abordar movimentos sociais
Convenções básicas (quem não cumprir está sujeito à demissão):Por Osvaldo da Costa, na Adital, via Vermelho
1ª) Toda ocupação de terra deve ser chamada de invasão
Ao invés de usar o termo adotado pelos movimentos sociais, "ocupação" – manifestação de pressão para o cumprimento da Constituição pelo Estado e denúncia da existência de latifúndios –, é mais eficiente para o objetivo de defesa do princípio da propriedade privada a utilização da palavra "invasão" – tomar para si pela força algo que não lhe pertence.Dessa maneira, implicitamente, estamos dizendo que discordamos dessa prática e a consideramos ilegal, e conseguimos gerar a sensação de pânico generalizado em todos os donos de propriedade, sejam elas rurais e produtivas, ou até mesmo propriedades urbanas.Observação: essa regra não é generalizável. Para os casos em que os Estados Unidos invadem países, destroem a infra-estrutura e matam a população, deve-se utilizar o termo "ocupação".
2ª) Regra do efeito dominó: fale só do maior para bater em todos
O acordo da grande imprensa é manter somente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na pauta dos noticiários, e evitar sempre que possível falar da existência de outros movimentos sociais. Para isso, quando se tratar de movimentos do campo, basta usar sempre a expressão genérica "movimento dos sem-terra", ou falar dos "sem-terra", sem mais detalhes.Se a pauta exigir o detalhamento do movimento, recomenda-se associá-lo sempre ao alvo principal, com expressões como "movimento dissidente do MST".Essa regra ainda colabora para a desunião entre os movimentos, pois os menores se incomodam pela invisibilidade e pelo fato de terem suas ações relacionadas sempre ao MST.
3ª) Reforma Agrária deve ser tratada como questão de polícia
Movimentos sociais e reforma agrária devem, sempre que possível, ser tratados na página policial, no caso de jornais impressos, e no bloco do crime e dos desastres, no caso dos telejornais.Caso não seja possível enquadrá-los na seção policial ou em espaço próximo, use títulos para editorias que lembrem o belicismo, como "campo minado". Não importa o que diga sua matéria, os títulos devem falar por ela, mesmo que não tenham relação com o conteúdo. Use tons sensacionalistas e fatalistas.
4ª) Nunca divulgue os artigos progressistas da Constituição Federal
Os artigos da Constituição Federal que tratam da função social da terra, que integram o código agrário – 184 a 191 – nunca devem ser mencionados em reportagens sobre os movimentos sociais, para evitar a compreensão de que a ação de invasão de terras pode ter algum respaldo legal.É sempre recomendável lembrar da lei de Segurança Nacional e da necessidade de uma legislação contra o terrorismo no Brasil. O termo "Estado de Direito" é ideal para isso. Considere qualquer manifestação uma afronta ao Estado de Direito, mesmo que ele seja apenas o Direito do Estado.Se falar do Estado de Direito e suprimir os artigos progressistas da Constituição não for suficiente, convém colocar as reportagens próximas à cobertura de ações terroristas ou, levantar a suspeita de que há relação do movimento social com uma organização terrorista ou guerrilheira estrangeira.Conjunto de regras para serem selecionadas e aplicadas conforme a conjuntura exigir:
5ª) Levante a bola para o oportunista de plantão
Não é verdade que o papel da imprensa é apurar a verdade dos fatos. Todo aspirante deve saber que a imprensa tem poder para gerar os fatos.Além disso, apurar fatos implica em sair da sua cadeira e nem todos eles podem ser apurados por telefone. Basta fazer uma reportagem suspeitando de algo, e procurar um oportunista que queira protagonizar a indignação pública para a suspeita ganhar dimensão de notícia.Sempre há alguém à disposição esperando para se deslumbrar com as luzes dos holofotes. O exemplo bem sucedido mais recente foi o caso da requentada pauta da suspeita da legalidade do financiamento público para cooperativas da reforma agrária, em que o presidente do Superior Tribunal Federal (STF) desempenhou o papel de porta-voz da bancada ruralista, dando respaldo para a suspeita, e de quebra, aproveitando para atacar o governo federal.Se não houver ninguém do Judiciário ou algum deputado, não importa, qualquer um, sem nunca ter ido a um assentamento ou acampamento pode ser transformado em "especialista" em questão agrária: sociólogos, filósofos e até jornalistas.
6ª) Nem sempre devemos apurar os dois lados da notícia
Quando já conseguimos incutir um pré-julgamento na opinião pública sobre o caráter marginal das ações dos movimentos sociais, podemos reforçar essa opinião entrevistando somente o lado agredido pelas ações, as vítimas dos movimentos. Fica implícita a informação de que, como os integrantes dos movimentos são foras da lei, quem deve escutá-los é a polícia e o poder judiciário. Se ainda assim tiver que ouvi-los, seja breve e descontextualize a frase.
7º) Não deve existir noção de historicidade, nem de causa e conseqüência em nossas reportagens
Não abordar as razões da ação dos movimentos sociais, evitar a divulgação da nota à imprensa. Não importa há quanto tempo às famílias estejam acampadas, quais promessas foram feitas pelo governo, se a terra é do banqueiro que saqueou os cofres públicos ou do coronel que vive do trabalho escravo. Se detenha nas conseqüências da ação.
8°) Dramatização da repercussão das ações dos movimentos sociais
Retire o foco das motivações estruturais e causas históricas e centre a abordagem nas conseqüências para os indivíduos donos ou empregados das propriedades invadidas ou atacadas. – fale do prejuízo econômico para o proprietário, e se possível faça uma entrevista com o mesmo ou com um familiar próximo para mostrar a comoção da família diante do ataque bárbaro. É importante mostrar o estado de choque emocional, e o ideal é que a pessoa esteja chorando. – surte grande efeito a entrevista com trabalhadores da fazenda ou da empresa. O maior exemplo é o caso da ação no horto da multinacional Aracruz no Rio Grande do Sul, em que uma técnica de laboratório se fez passar por pesquisadora e, em prantos (!), afirmou que a destruição das mudas de eucalipto acabou com mais de vinte anos pesquisa.Nesse caso, as reportagens conseguiram colocar os movimentos sociais como contrários à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, evitando a pauta concreta da ação, que se centrava na expansão ilegal das terras da empresa e na depredação da natureza com o monocultivo de eucalipto.
9ª) Campanha de desmoralização permanente dos movimentos sociais
É sempre bom manter semanalmente pautas de desgaste aos movimentos sociais, mesmo que não haja uma ação que renda manchete. Nesses casos, a regra é trabalhar com associação, encaixando uma reportagem que fale sobre um movimento após ou entre matérias que falem, por exemplo, de casos de corrupção no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), venda de terra e desmatamento em assentamentos da Amazônia Legal, etc.Bata nas mesmas teclas, insista nas mesmas teses permanentemente, mesmo que elas já tenham sido usadas antes. Insista, por exemplo, que o MST irá romper com o Governo Lula desta vez, mesmo que o movimento afirme e demonstre desde o primeiro dia de governo que nunca esteve atrelado.E quando não for possível tomar como alvo os movimentos sociais, vale mirar nas bandeiras de luta deles, alegando estarem ultrapassadas, deslegitimando-as como parte da solução atual para os problemas do país. Nesse caso, pode-se até reconhecer o valor histórico que bandeiras como reforma agrária cumpriram no Brasil e em outros países, mas deve-se usar essa manobra apenas para recusar essas propostas no presente.
10ª) É fundamental saber manipular a dimensão subjetiva do telespectador ou do leitor
Não é apenas com a manipulação dos fatos e com a edição das entrevistas que podemos influenciar na interpretação que os nossos consumidores farão. Na TV, a expressão facial e o tom de voz dos repórteres, dos comentaristas e, sobretudo, dos âncoras, é determinante. A adoção do semblante sério e do tom de voz grave deve indicar a importância do tema.Além da performance dos jornalistas como atores, é recomendável que o pano de fundo do cenário também traga imagens que gerem medo e desconfiança. O exemplo do Jornal Nacional é o mais ilustrativo: para falar da reforma agrária e dos movimentos que lutam por ela: aparece uma cerca rompida e três vultos disformes – "afinal não são pessoas, são sombras" –, empunhando ferramentas de trabalho como se fossem armas, numa ação de invasão da propriedade (e da casa do espectador).