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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A utopia - e o Socialismo do século XXI

Um Socialismo para o Século XXIFrançois Houtart
*Adital -
Introdução
O socialismo é um projeto, antes de ser um conceito. Por essa razão, é necessário abordar o conteúdo como passo preliminar para a utilização da palavra. De fato, o que é o socialismo hoje? Trata-se do stalinismo, do maoísmo, de Pol Pot, da social-democracia, da terceira via? Estamos ante a plena ambigüidade, o que exige um novo quadro de reflexão.No entanto, há uma grande urgência frente à destruição social e ambiental provocada pelo modelo econômico contemporâneo. A hegemonia global do capitalismo, em sua forma neoliberal, não somente foi edificada sobre novas bases materiais (as tecnologias da informação e da comunicação), mas também permitiu universalizar a subordinação do trabalho al capital ("subsunção", segundo Carlos Marx). Atualmente, não somente se trata de uma subordinação real, isto é, dentro do processo mesmo de produção, a través do salário, mas também formal, ou seja, por meios financeiros (preços das matérias primas e dos produtos agrícolas, dívida externa, paraísos fiscais, fiscalização interna que promove a riqueza individual) ew por meios jurídicos (normas das organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio).Este último tipo de subordinação afeta a todos os grupos humanos tanto pela destruição ambiental como pela submissão à lei do valor. Hoje em dia, os povos indígenas estão afetados em sua possibilidade de sobrevivência pela exploração dos bosques ou pela destruição da biodiversidade; os pequenos camponeses são as primeiras vítimas da privatização da saúde, da água, da eletricidade; os pequenos camponeses são deslocados pelas empresas transnacionais do agronegócio. De fato, a vida da humanidade em seu conjunto está sendo agredida. As conseqüências para a sociedade são profundas porque esse processo agudiza as contradições dentro de todas as relações entre indivíduos, não somente pela desigualdade econômica e social crescente, mas pelo aumento dos conflitos de gênero, de raças ou de castas. Por essas razões, o projeto deve começar por uma deslegitimação clara e radical do capitalismo, em sua lógica mesma e em seus aspectos concretos em cada sociedade. A consciência de que não se pode humanizar o capitalismo constitui a base de um novo projeto concreto. A esse propósito, podemos propor níveis de reflexão: o nível da utopia (que sociedade queremos?), os meios e, finalmente, as estratégias. Trataremos de aplicar esses três níveis aos vários componentes da realidade humana: ecológicos, econômicos, políticos e culturais e de propor, de maneira muito sintética, uma série de hipóteses como base de discussão.1. Os objetivos ou a utopiaQue sociedade queremos? Essa pergunta pode parecer muito geral, um conjunto de idéias abstratas, um sonho. Porém, não seríamos seres humanos se suprimíssemos a capacidade de sonhar. Queremos viver em uma sociedade humana de cooperação e de paz. Isso significa que não queremos viver em um mundo de pura competitividade e de agressão. Desde seu início, tal perspectiva introduz uma contradição com a sociedade neoliberal. Para definir de maneira mais concreta o que podemos chamar a utopia, pode-se distinguir quatro objetivos ou princípios, segundo as já citadas dimensões ecológica, econômica, política e cultural.1) Prioridade de uma utilização renovável dos recursos naturaisExiste uma simbiose entre a natureza e o ser humano. A natureza é fonte é fonte de vida (a pachamama, terra-mãe, como dizem os povos indígenas da América do Sul). Não se pode agredi-la, nem destruí-la sem atentar contra a vida humana. A natureza não pode ser explorada em função de uma racionalidade puramente instrumental, característica do tipo de modernidade vinculada econômica e culturalmente com o capitalismo. Isso resultaria na destruição progressiva da natureza. O "grito da terra", como escreve Leonardo Boff, chama-se desertificação, deterioro do clima, gripe aviar, AIDS...Esse princípio da prioridade da utilização renovável significa o rechaço a modos de produção e de atividades que destroem de maneira irreversível o ambiente natural. O uso de recursos não renováveis será o objetivo de uma gestão coletiva, assegurando sua racionalidade. No entanto, esse princípio é somente uma parte da realidade e deve entrar em2) Predomínio do valor de uso sobre o valor de trocaEssa distinção, feita por Carlos Marx, é útil para pensar o futuro. O valor de uso é o que contribui para a qualidade da vida humana em todas suas dimensões. O valor de troca é o mercado, que tem uma função subordinada ao valor de uso. No entanto, na lógica do capitalismo, o mercado domina hoje não somente a atividade econômica, mas também toda a organização coletiva da vida humana. Para o capitalismo, não existe valor econômico se o trabalho, os bens e os serviços não se transformam em mercadorias. É o que se chama a imposição da lei do valor que, segundo Franz Hinkelammert, significa o fim do sujeito. Os seres humanos estão submetidos a essa lei que invadiu a realidade social submetendo a humanidade em sua totalidade à lógica do capitalismo. É por isso que Karl Polanyi, economista estadunidense historiador do capitalismo, conclui que é necessário reinserir a economia na sociedade.3) Participação democrática em todos os setores da vida coletiva. A participação democrática, isto é, o poder de decisão do sujeito humano, pode ser limitado ao setor político. Nesse sentido, pode-se dizer que toda a realidade é política, começando pela economia. O princípio da participação democrática tem que ser aplicado a todos os níveis da vida humana coletiva, do local ao global.4) Interculturalidade. Todas as culturas participam na vida cultural e espiritual da humanidade. Nenhuma delas pode ser eliminada ou marginalizada. Isso inclui todas as expressões culturais, o direito, a ciência, as religiões e as espiritualidades. As transformações que derivam de intercâmbios, de enriquecimento mutuo são bem-vindas porque a cultura não é estática.Sobre a base dos quatro princípios expostos propõe-se o problema dos meios.2. Os meiosNão basta afirmar princípios. Construir outra sociedade significa aplicar meios para que eles possam tornar-se realidade.1) A relação com a naturezaPara levar a cabo o primeiro princípio de predomínio de uma utilização renovável podemos propor três meios principais. O primeiro é a apropriação pública dos recursos naturais essenciais para a vida, como a água, as sementes, o ar. Esses recursos constituem o "patrimônio da humanidade" e devem escapar da lei do valor, tal como está definida pelo sistema econômico capitalista.A revalorização da agricultura camponesa é outro meio necessário. Trata-se de lutar contra a concretização produtivista da terra ou dos produtos agrícolas em mãos de empresas transnacionais que destroem a natureza, sem falar dos desastres sociais e de promover uma agricultura orgânica. Em terceiro lugar, a tarefa fundamental de regeneração da atmosfera, dos solos, das águas e, finalmente, do clima.2) O predomínio do valor de uso sobre o valor de trocaExistem vários meios para esse predomínio em específico. Somente queremos assinalar alguns deles:- Promover a produção orientada à maioria das populações com a utilização de instrumentos públicos, o que se opõe ao modelo de desenvolvimento atual, que favorece um crescimento econômico espetacular de somente 20% da população. Isso é a conseqüência da lógica do capitalismo, que necessita gerar fortes poderes de compra de uma minoria para absorver uma produção sofisticada, contribuindo para a acumulação do capital.- A introdução de elementos qualitativos no cálculo econômico, como o bem-estar (a qualidade de vida), o entorno ecológico, a segurança alimentar. As decisões serão muito diferentes se forem considerados esses elementos nos cálculos dos custos de produção e de intercâmbio.- Limitar a influência do capital financeiro mediante um imposto sobre os fluxos internacionais, a abolição dos paraísos fiscais e do segredo bancário e a supressão da dívida externa dos povos do Sul.- Abolição das patentes em sua forma atual e adaptação do direito de autor para evitar o monopólio das transnacionais.- Revalorização da empresa como lugar de trabalho comum com fins sociais e não como fonte de riqueza para os acionistas.- Reconhecimento e valorização dos empregos não reconhecidos (mulheres no lar) ou desvalorizados (serviço social, serviço de saúde) e criação de empregos para setores qualitativos de interesse coletivo (melhoramento da qualidade de vida, serviços pessoais etc).- Constituição de um seguro social generalizado sob controle público.- Revalorização do serviço público como serviço à coletividade e não como atenção a "clientes".3) O princípio da democraciaA democracia não é somente um fim, mas também um meio. Nesse sentido, deve-se estender a democracia representativa a todos os níveis da atividade coletiva, incluindo oi setor econômico. No entanto, necessita-se também a promoção da democracia participativa ou direta como incremento do controle popular nos mesmos setores. Não se trata da dimensão territorial (povoados, bairros, aldeias), mas também das empresas e das administrações.4) O princípio da interculturalidadeOs meios nesse setor são também diversos, com prioridade ao seguinte:-Afirmar e concretizar o direito dos povos frente ao direito dos negócios, o que significa uma mudança fundamental da filosofia dos organismos internacionais, financeiros e comerciais.- Proteção das culturas por medidas adequadas nos diversos setores de suas expressões.- Socialização dos resultados da ciência, sem monopólio industrial ou particular.- Afirmação da laicidade do Estado, como base do diálogo filosófico e espiritual e do ecumenismo.3. As estratégiasPara poder aplicar os meios suscetíveis de concretizar os princípios, há vários níveis de estratégias.- Deslegitimar o capitalismo como expressão de uma modernidade desumanizante, o que significa a utilização de todos os espaços possíveis para o desenvolvimento de um pensamento crítico nos setores da economia, da ecologia, da política e da cultura. Nesse sentido, os fóruns sociais têm cumprido um papel importante: o desenvolvimento progressivo de uma consciência coletiva.- Acelerar a criação de atores coletivos em nível global através de redes de resistência (um exemplo é a Via Campesina).- Renovar o campo político da esquerda, com a convergência de várias organizações políticas (não se pode pensar em um partido único detentor de toda a verdade) e a centralidade da ética nas práticas políticas.- Promover a emergência de um novo sujeito histórico, que não estará somente construído pelos trabalhadores assalariados, mas por todos os grupos atingidos em sua vida pelo sistema capitalista: pequenos camponeses, mulheres, povos autóctones etc.- Buscar a centralidade da ética como atitude coletiva e individual, em coerência com a utopia, o que implica uma institucionalizaçã o dos processos sociais e políticos como base dos comportamentos individuais e uma redefinição permanente dos aspectos concretos da ética, com a contribuição de todos.Podemos concluir que se isso é o que chamamos de socialismo, trata-se de um projeto profético e construtor, capaz de contradizer a "barbaridade" e de traduzir em um projeto pós-capitalista a defesa da dignidade humana e do amor ao próximo.[Colombia Plural/Inestco.Tradução: ADITAL]*
Sociólogo e teólogo. Tem mais de quarenta livros publicados, entre eles: Sociología da religião e Mercado e religião

domingo, 21 de dezembro de 2008

A Igreja e homofobia: calendário dos padres e o pecado


O Vaticano divulgou um calendário de 2009 com imagens de padres italianos. Vários blogs e jornais comentaram tal publicidade como fora de propósito de um Estado - O Vaticano. As críticas cheiram o pre-conceito de pedofilia e homossexualismo no quadros da Igreja.



"Jovens do Vaticano posam para calendário"
Os bombeiros espanhóis posaram para um calendário, os jogadores de rúgbi e futebol de diversos países, mas se você pensa que só atletas e oficiais instigam o pecado, você errou. O Vaticano lançou um calendário com doze de seus jovens padres. A novidade já tem tradição, as primeiras folhinhas com as fotos dos religiosos foram publicadas em 2003. Segundo a Igreja, o objetivo da publicação é levar informações sobre o Vaticano para a população e não instigar quaisquer tipos de desejos pecaminosos. As fotos podem ser compradas em bancas de jornal nos arredores de Roma ou pela internet.Embora as justificativas da Santa Sé insistam em priorizar a informação, a seleção dos padres não é por seu desempenho intelectual e, sim, por sua beleza.
http://onne.com.br/conteudo/206840/calendario-de-padres


Comentário: joaquim


Li os comentários sobre as fotos do calendário, em sua maioria mulheres, e expressam uma visão dualista e platônica. A beleza e o belo induz a luxúria, o hedonismo,e ao pecado por isso é mal, por outro lado o feio, induz a abstinência, ascese, epicurismo, conduzindo ao bem e a Deus. A partir do conceito ocidental branco,europeu de belo reduz o religioso com tal estética como prócere de do 'incubus'. Na teoria do laxismo - o prazer provocado pelo belo, inerente a sua essência, é fugaz e parte dos limites e tolerância de Deus sobre a incompletude, e finitude do ser humano. E dizem 'vai, comete o pecado, Deus te perdoa'.

To Be ou no to be Professor

do Prof. Branda - Administração.

A todos a minha mensagem de final de ano.

SER PROFESSOR
Hoje senti uma melancolia, uma falta de sentir que falta pouco tempo para chegar segunda-feira e pouco tempo para preparar a aula. Falta daquela pressão no peito pela obrigação de preparar uma boa aula em pouco tempo, pois a segunda-feira vem em ritmo acelerado, então lembrei, é semana do natal, mas por que senti falta disso, durante o ano aguardei ansiosamente por esta folga. Após alguns instantes entendi, eu não estou professor eu sou professor, coisa que para os burocratas capitalistas e aventureiros do ensino soa como um absurdo. Ser professor é um “estado de espírito” e exige dedicação integral, professor é professor também nas férias quando encontra um aluno ou outro professor, para professor passear no shopping e não passar horas na livraria é tempo perdido, gastar muito em livros é investimento e lazer. Professor é uma das poucas profissões que exigem dedicação em tempo integral por isso que muitos tentam, mas, poucos permanecem nesta profissão, entendo a carreira do professor como um sacerdócio e a essência da arte. Professor é professor, pai e mãe, educador, conselheiro, às vezes até polícia, é o equilíbrio entre o capitalismo selvagem e a ética e bom senso. Enquanto a maioria dos demais profissionais curte o natal despreocupadamente, o professor está pensativo e em dúvida se vai ter aulas suficientes no próximo ano para sustentar sua família. Infelizmente, este profissional tão massacrado por interesses que nada tem a ver com a missão nobre de ensinar, com salário que na maioria das vezes é injusto, exigem um trabalho com qualidade, mas na verdade querem pagar apenas por uma presença física e o esquema “embromação”, então, não entendem como apesar disso o mestre se supera numa sala de aula, brilha, é amado e admirado, enquanto os burocratas do ensino são ignorados, a partir deste ponto de vista entende-se seus atos, às vezes irracionais, burros, vingativos e absurdos. Inúmeras vezes senti vontade de largar tudo, já o fiz duas vezes, mas a sala de aula é uma experiência indescritível para quem sabe o significado da palavra “mestre” e sempre voltei, cada vez mais feliz que antes. Invejem-me sou professor sim com todo orgulho do mundo e isto não é para quem quer, mas para quem tem o dom.

Professor Adalberto Brandalize
Rua Paranapanema, 188, 86025-330, Londrina-PR
(43)3337.9676 e 9944.9790, Rg. 959748-4

Comentário: joaquim
Tenho espasmo de prazer quando venho um ex-aluno com destaque em uma ocupação: professor, administrador, comércio, indústria, serviços, serviço público, parlamentar, e que conseguiu alcançar os objetivos propostos e está atuando com ética. Sinto uma parte de mim no seu fazer. Aquela pessoa é um mosaico e visualizo a minha contribuição. Fico triste quando pego um aluno 'colando' - com o sentimento de incompetência, não consegui transmitir valores. Amém.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Lavando a roupa - 2008: os futuricidas


Final de 2008. Convivemos com os 'futuricidas', isto é, os que assumem a morte do futuro para finalmente celebrar o presente ou celebrar o passado. A saida é re-inventar o futuro, abrir para novas possibilidades. É triste ver no UOL - observe, vá lá e veja, toda manchete positiva sobre Lula, associam com mensagem positiva do Serra. Destacam ações do ex-futuro candidato a presidente Serra. O jogo de imagem, as fotografias de Lula com Serra, com o intuito de manipular. Os marketeiros do Serra estão trabalhando internamente na PIG, e utilizam das técnicas de fotografias, que o diga Martine Joly, na obra "Introdução a análise da imagem". Coitado do jornalista Josias, no blog da Folha Online, assume tal postura de 'mentalidade de vassalo', obediente o ordem do 'senhor'.
'O futuro já não é o que era' - graffito argentino (Boaventura,2001)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O STJ a Justiça e os Indios - RR - Raposa Terra do Sol

AWERE: JUSTIÇA NA RAPOSA TERRA DO SOL


No dia que a humanidade celebra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) deu início a uma nova era de respeitabilidade para com os Povos Indígenas do Brasil. Com 8 votos declarados, mesmo com o pedido de vistas por parte do Ministro Celso de Mello, não há como pedir a nulidade da demarcação das terras indígenas Raposa Terra do Sol, localizada no Estado de Roraima. Apenas significa que a decisão e ratificação da demarcação realizada em 2005 ficará para os primeiros meses do ano de 2009.

Trata-se de uma decisão que beneficiará mais de 19.000 mil indígenas moradores da Reserva Indígena Raposa Terra do Sol, divididos etnicamente em 5 povos que se comunicam entre si por meio de tradições e costumes, festas e relações econômicas.

Aos não-índios, latifundiários e defensores da lógica do “agronegócio” e, talvez, do “hidronegócio” restará o benefício ainda de serem indenizados pela União o que não deveria ser realizado, por se tratar de invasão de território indígena. Mesmo que não fosse uma territorialidade indígena estariam em território devoluto da União, logo, do povo brasileiro. Contudo, já que é para se fazer valer a lógica do “contrato social” de Hobbes, o Estado fica obrigado a indenizar os que supostamente fizeram benfeitorias locais.

Os politiqueiros de plantão devem estar literalmente assustados com os votos desses 8 Ministros do STJ. Desde os donos do capital até os fazendeiros, dos amigos dos fazendeiros que estão no Senado como também na Câmara. O Governador de Roraima que procurava defender os interesses dos grandes agronegocistas deverá repensar seus discursos. Mas tudo isso está sendo um grande ensinamento, uma grande vitória pedagógica e gostaria de destacar cinco delas, dentre outras que poderão existir.

Qual seria a importância pedagógica dessa decisão? Simplesmente uma correção histórica que coloca em primeiro lugar os povos indígenas e aqueles que querem utilizar a terra, que continua sendo da União, de forma sustentável e ecopedagógica. Trata-se de uma vitória de todos os povos indígenas do Brasil que poderão continuar sonhando a grande utopia da “terra sem males”. Males ainda causados por homens como estes que continuar a defender a maléfica lógica da colonização.

A importância dessa decisão de um vir-a-ser também é de ordem moral. Uma nova cultura moral está se formando nas decisões do STJ que julga não mais em prol dos colarinhos brancos, dos homens de negócio e dos proprietários do capital. Pelo contrário, a justiça começa a deixa de ser “minúscula” e passa a ser “maiúscula”, logo, Justiça. O caso dos povos indígenas é uma ação pedagógica que poderá movimentar outras organizações, movimentos sociais e populares e sindicatos a lutarem também contra a lógica do mandonismo, dos velhos costumes do “jeitinho” coronelista e das políticas de apadrinhamento.

Uma terceira importância pedagógica é de ordem política. O discurso do líder dos arrozeiros, grande defensor do agronegócio e também da exploração desordenada das terras indígenas e de seus bens naturais, defendia a tese de que a Reserva Indígena possuía faixa contínua de limites territoriais de fronteira com outros países, a saber: Guiana e Venezuela. Primeiro, estariam a Guiana e a Venezuela interessadas em se apossar do território brasileiro? Seria uma ingenuidade se pensar assim. Portanto, passou a defender com discursos “sofistas” e ideológicos que as ONGs defensoras dos Povos Indígenas da Raposa Terra do Sol eram estrangeiras, interessadas nas terras indígenas e na área de fronteira. O que eles, os latifundiários chamam de ONGs é simplesmente o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), organismo pastoral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que recebe financiamento de organismos alemães para defender e se manter enquanto instituição histórica, desde 1975, na defesa e na promoção dos povos indígenas no Brasil todo. Portanto, não há como ligar o CIMI a uma organização clandestina internacional que quer se beneficiar dos povos indígenas e de suas riquezas minerais, naturais, biológicas etc. Trata-se realmente de uma “falácia” dos que defendem tal tese, no mínimo, absurda.

A quarta importância pedagógica da decisão do vir-a-ser dada pelo STJ é de ordem ecológico-ambiental. Os chamados não-índios no Processo são estimulados pela lógica do capitalismo e pelo discurso do chamado “desenvolvimento” e do “progresso”, a desmatar toda a reserva florestal dentro do território indígena. Em nome do deus “capital” se pode tudo. Acabar com a natureza seria mais um recurso para os famintos e sedentos homens de negócio que vêem a lucratividade em primeiro lugar. A decisão elimina esta possibilidade, já que é comprovado que os índios são os que mais preservam e onde há Reserva Indígena, a floresta e toda sua biodiversidade está protegida.

A quinta importância pedagógica da decisão do vir-a-ser é de ordem cultural. Os índios poderão dar um passo significativo a manter todas suas vivencias culturais sem se preocupar com que o não-índio irá dizer. Para muitos, o modo de vida dos povos indígenas é primitivo, a-moderno, sem nenhuma esperança de pós-modernidade. De fato, os povos indígenas devem mesmo evitar a modernidade irracional e a pós-modernidade imbecil. Eles possuem mais, muito mais. Possuem saberes milenares que não podem e não deve ser esquecido, daí a importância da educação indígena, que promova a integração entre a cultura letrada e a cultura vivida. São os povos indígenas, defensores da soberania nacional, é que possuem a verdadeira Razão. Os outros querem a Razão domesticada pela lógica do consumo, do capital e do mercado.

Não conheço a Reserva Raposa Terra do Sol, mas não poderia esquecer da grande festa que está sendo realizada. Um verdadeiro Awere já se forma nas mais de 190 aldeias que compõem a Reserva Indígena Raposa Terra do Sol. Toda nação deveria render “graças” a todos os habitantes dessa Reserva que pedagogicamente nos ensinaram a lutar e acreditar que o sonho é possível e de que a “Justiça e Paz” prevaleceriam. A paz ainda é um sonho, pois devemos temer pelas atitudes dos donos do capital que saíram derrotados, mas a Justiça se fez realidade, fez gente e gente quer brilhar para defender o que também é nosso, as terras da Raposa do Sol, território indígena, território brasileiro e dos brasileiros (e não simplesmente de alguns). Awere para a soberania nacional e para a soberania dos povos indígenas.

Claudemiro Godoy do Nascimento
Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação/Unicamp. Doutorando em Educação/UnB. Professor da Universidade Federal do Tocantins – UFT/Campus de Arraias.

Fonte: do grupo Teologia da Libertação - e-mail: teologia_da_Libertacao@yahoogrupos.com.br

sábado, 29 de novembro de 2008

Consumo e consumismo. Eis o Natal.


Adotar uma criança de uma creche para doar um brinquedo. Consumo ou consumismo? Consumismo sustentável. Uma aluna de Pedagogia solicitou aos colegas e ao professor adotar uma criança de uma creche da periferia, onde trabalhoa, para doar um briquedo. Na hora de comprar foi um dilema. O que? Qual o critério para escolha? A ideologia veio a minha mente e briguei com a filósofa Marilena Chauí (1983).
A ideologia do [consumismo] é ilusão, isto é, abstração e inversão da realidade, ela permanece sempre no plano imediato do aparecer social. Ora, ao falarmos do fetichismo da mercadoria. o aparecer social não é algo falso e errado, mas é o modo ocmo o processo social aparece para a consciência direta dos homens. Isto é, a ideologia do [consumo] possui uma base real, só que esta base está de ponta-cabeça, é a aparência social. ' E viva Karl Marx.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A crise, cuidado!!!! - Há,há,há, há, há... É mentira?


Espantei, domingo 16/11 - no 'Fantástico', com o grito de des-(des)mobilização da campanha do risco do Brasil - ' estamos em crise, cuidado, o que o governo fala não tem sentido.' Tal sandice de campanha estava proporcionando um clima negativo nos negócios de queda, medo, insegurança no consumo. Afirma o 'especialista', economista selecionado: 'o capitalismo vive de consumo. A burguesia comercial, e industrial reagiu, vide reunião da FIESP, no dia 09/11/ em São Paulo, cuja decisão foi de alavancar o consumo. A campanha pró Serra deixa para o próximo ano. A estratégia foi de apresentar 'o ex-futuro presidente não eleito' com imagens positivas e propositivas. Os blogs alternativos (NASSIF, Asenha, Eduardo Guimaraes, e outros tantos) colocaram o dedo na ferida, e a ideologia não pode apresentar contradição e incoerência (vide a postura 'imbecilizada' da mídia na defesa do tiro, que não houve, no caso Lindemberg em Santo André-SP).


Quem gosta de simulacro e similitudes, numa abordagem de humor intelectual, assista o vídeo que trata sobre a crise financeira americana. É de humor clique aquihttp://http//www.dailymotion.com/swf/k2GEzYKbv1P6IUHSpY .


Ainda tem gente que acredita no papo da mídia.

sábado, 8 de novembro de 2008

INDIGNAÇÃO SOBRE O PODER DA ELITE(minoria)


Por 10 x 0 votos o STF inocenta Dantas com aprovação da decisão do HC (habeas corpus) a favor do banqueiro Daniel V. Dantas, votação ocorrida dia 05/11. Além de promover a caça pela PF ao delegado Protógenes Queirós, e acusação ao juiz federal Fausto de Sanctis. O juízo ético move a INDIGNAÇÃO. Leia a opinião do jornalista Azenha.


TODO MUNDO É ESPERTO. SÓ VOCÊ, LEITOR, É IDIOTA
Atualizado em 08 de novembro de 2008 às 08:07 Publicado em 07 de novembro de 2008 às 19:44
Seria cômico, não fosse trágico e patético, o uso de instituições do Estado para proteger um banqueiro, com a devida cobertura midiática.
O governo Lula está envolvido até a medula na tentativa de desmoralizar aqueles que ousaram investigar o banqueiro, cujos crimes têm a obviedade de uma propina de um milhão de reais em dinheiro.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, é co-responsável pela patifaria. Já imaginaram se a PF fosse fazer buscas nas casas de todas as autoridades que vazaram informações para jornalistas? Isso é absolutamente corriqueiro. E o delegado Edmilson Bruno, aquele que vazou as fotos do dinheiro dos aloprados para os jornalistas na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2006? Houve busca e apreensão na casa dele?
É óbvio que a PF está sendo usada numa tentativa descarada de intimidar o delegado Protógenes Queiroz. É um absurdo que o ministro da Justiça, Tarso Genro, seja conivente com isso. Não há outro nome para definir o que está acontecendo: uma patifaria. Com a silenciosa aquiescência do presidente da República, que está desmoralizando a Polícia Federal e se associando ao que há de mais podre na política brasileira.
Lula dá corda àqueles que pretendem enforcá-lo, se já não o fizeram. Começo a concordar com PHA: o presidente da República "caiu para dentro". Abdicou do governo. Assiste a tudo impassível. Com certeza está fazendo os devidos cálculos políticos, pensando "naquilo", 2014. Será atropelado pelos acontecimentos. Não vai fazer o sucessor em 2010. Nem voltará em 2014. Não acredito que o presidente da República seja ingênuo: assim que ele tirar os pés do Palácio do Planalto será devidamente "desconstruído" pela mídia brasileira.
Lula não fará o sucessor em 2010 pelo simples fato de que, em nome de seus próprios objetivos pessoais, joga todos os aliados aos leões, sempre que é conveniente. Penso em termos estritamente políticos: quem é que vai se aliar ao Lula se acredita que o presidente da República trata aliados como "descartáveis"? Quem é o homem-forte do governo Lula neste momento? O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que outro dia posou sorridente ao lado do governador José Serra e do prefeito Gilberto Kassab. Os três "despacharam" sobre os aeroportos de São Paulo. Será que Lula acredita que o ministro Jobim serve a ele? Contem outra...
O próprio presidente da República já disse que nunca foi de esquerda. Faz sentido, quando se vê Lula disputando a direita com José Serra. Só há uma explicação para o comportamento de Lula: ele quer posicionar sua candidata como a verdadeira merecedora da confiança do empresariado paulista. Sabe que esse empresariado desconfia de Serra. Paulo Lacerda? Protógenes? ABIN? Às favas com essa gente. Prender empresário que pode financiar minha candidata? Enlouqueceram?
O que o presidente da República, com toda a sua esperteza e sagacidade, não parece ter percebido, é que Gilberto Kassab ensaiou, na campanha municipal paulistana, o movimento que José Serra fará em sua própria campanha: endossar os programas sociais. É o lulismo sem Lula. O vergonhoso comportamento do governo Lula ao longo da operação Satiagraha pode custar só meia dúzia de votos à esquerda, mas não rende nenhum à direita. O que Lula tem a ganhar? Financiamento de campanha? O apoio do empresariado, com a garantia de que ele não mexe mais com "os de cima"?
Enquanto isso, a mídia continua servindo à mistificação. Do Valor Econômico, a respeito da decisão do STF sobre o habeas dantas: "O processo de Dantas chegou ao STF em junho, antes do início da operação, pois o banqueiro soube pelos jornais (grifo meu) que estava sob investigação da PF e ingressou com um pedido preventivo de habeas corpus".
Pelos jornais? O Valor Econômico poderia ter dito a verdade a seus leitores: soube pela Folha de S. Paulo, que prestou serviço a um patrocinador.
AQUI, COMO A FOLHA "AVISOU" DANTAS, QUE USOU A "NOTÍCIA" PARA PEDIR O HABEAS DANTAS PREVENTIVO.
Eles -- todos eles, inclusive o presidente da República -- acham que são espertos. Só nós é que somos idiotas.
PS 1: Se a revista "Veja" foi capaz de dar credibilidade ao falso dossiê com as contas de integrantes do governo Lula no Exterior (leia aqui), o que não fará com os dossiês que receber diretamente do presidente Serra? Repiro: a elite brasileira demolirá Lula assim que ele tirar os pés do Planalto.


Prof. Joaquim P. de Lima.

domingo, 2 de novembro de 2008

A crise financeira dos EUA e Brasil: razões e consequências

No debate sobre a Crise Financeira realizada na I Semana de Administração da Faculdade Uninorte, Londrina, no dia 30/10, auditório lotado. Os debatedores foram: Prof. Henrique Sachetin (economista, especialista em Bolsa), Prof. Laércio Rodrigues (economista, especialista em Mercado de Trabalho), Prof. Marco Arbex (economista, especialista em Marketing), Prof. José Luis Dalto (economista, especialista em O&M), Prof. Joaquim P. de Lima (sociólogo, filósofo, especialista em Políticas Públicas), todos docentes da Uninorte. O prof. Laércio introduziu conceituando economia e sua relação com a crise financeira e o sistema financeiro. Em seguida, o prof. Arbex destacou a origem da crise a os ciclos de crise do capitalismo. O prof. Sachetin relacionou a crise com a economia mundial, as bolsas e o neoliberalismo. Salientou a descrença na fala do Governo Lula e elogiou o presidente do BC, Henrique Meirelles, na condução da economia. No contraponto, o sociólogo, prof. Joaquim Lima, provocou se as consequências da crise são de fato como a mídia prescreve ou é fruto de ideologia e relações de poder? Apontou que a crise, tal como afirma o economista americano I. Wallenstein, faz parte do movimento do Sistema Mundial, e a crise do paradigma neoliberal da não-intervenção do Estado no mercado. A mídia cria um clima de desaceleração, de aumento de inflação, risco, com o intuito político eleitoral visando 2010.