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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A Vanguarda Popular da Direita sai do armário


(Banner do site Endireita Brasil)

20 de dezembro de 2012 – 15:13 | Home > Revista Brasileiros 62      - vide em: www.viomundo.com.br 

Para os formadores de opinião pública o artigo de Solnik, abaixo, auxilia na compreensão dos atores políticos que estão re-estruturando o pensamento CONSERVADOR brasileiro. Reflita.
Prof. Joaquim P. Lima - 

Vanguarda popular: a direita sai do armário (com roupas de esquerda)
O que pretendem os jovens brasileiros de direita, liderados pelo Instituto Millenium
Alex Solnik, na revista Brasileiros, sugestão do Igor Felippe
É didático assistir à palestra de Helio Beltrão Filho postada no site do Instituto Mises Brasil, do qual é o presidente. Ele fala em perfeito inglês na sede do Mises americano, em Auburn, Alabama, mostrando entusiasmo e alegria. “Hoje é carnaval no meu País, o Brasil”, diz ele, esbanjando simpatia. “Os brasileiros estão gozando do seu sagrado direito à felicidade… Eu digo no sentido bíblico…”
Risos discretos pontuam sua observação. O jovem Helio Beltrão Filho vai em frente: “Com toda a festa que ocorre hoje no meu País, escolhi estar aqui porque a minha festa é aqui”.
Ele é a face mais visível e, ao mesmo tempo, menos assustadora da articulação de direita que grassa no Brasil desde 2005. Assustador é o brasão do Instituto Mises Brasil que lembra, por tudo, a TFP (Tradição, Família e Propriedade). O lema do instituto é “Propriedade, Liberdade e Paz”.
O rosto do brasão é do “patrono” do instituto, o economista conservador austríaco de origem judaica Ludwig von Mises, de frente e de perfil. A imagem de perfil guarda uma profunda semelhança com o general Costa e Silva. Talvez seja uma menção proposital. Helio Beltrão, pai do jovem Helio, foi ministro dos presidentes Costa e Silva e João Figueiredo. Presidiu a Petrobras e foi acionista do Grupo Ultra. Com sua morte, as ações foram herdadas pelo filho.
O brasão é medieval, mas sua utilização é moderna. Ele aparece estampado em camisetas, bonés, chaveiros, moletons, adesivos, todos os tipos de acessórios familiares aos jovens. Até mesmo em shapes de skate. Acompanhado de frases como “Inimigo do Estado”, “Privatização Total” e “Imposto é Roubo”, o busto de Von Mises também aparece isolado em camisetas, fora do brasão. Talvez uma tentativa de transformá-lo em Che Guevara da direita. Todos os produtos são vendidos na loja virtual do instituto.
Guevara de Mickey Mouse
A direita se modernizou, essa é a verdade. (“E a esquerda ficou velha”, comenta um amigo, guerrilheiro dos anos 1970). Helio Beltrão Filho é um importante articulador da aliança de direita no Brasil, mas não é o único a utilizar as mesmas armas da esquerda para outros fins.
O Movimento Endireitar, por exemplo, comercializa uma coleção de camisetas com nome muito sugestivo: Vanguarda Popular. Vanguarda Popular Revolucionária é o nome do grupo de guerrilha em que atuou, na juventude, a presidenta Dilma Rousseff. Faz parte da coleção de estampas uma montagem em que um Che Guevara aparvalhado aparece vestindo orelhas de Mickey Mouse. Em outros modelos, há inscrições como Enjoy Capitalism, grafada com as letras da Coca-Cola.
Há dezenas de blogs de direita explícita rolando na internet. Mas o mais importante deles é um portal que se chama Instituto Millenium. É um senhor portal. Perdão, ele não se assume de direita. Mas nem precisava se assumir. O flerte com a direita é explícito. Basta conhecer a lista dos institutos associados, OSCIPs ou ONGs criados depois do Millenium – Movimento Endireita Brasil, Mises Brasil, Instituto Ling, Instituto Liberal, Instituto Liberdade, Instituto de Estudos Empresariais…
Dez ao todo. Ou consultar a lista de livros indicados com destaque para Por que Virei à Direita, assinado por Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho e Denis Rosenfield. O curioso é que o contraponto a esse lançamento da Editora Três Estrelas (de propriedade do grupo Folha de S. Paulo) – A Esquerda que Não Teme Dizer seu Nome, de Vladimir Safatle da mesma editora – é tacitamente ignorado.
Por trás de um nome solene, Millenium, não poderia haver menos solenidade no organograma. Os dirigentes fazem parte do Conselho de Governança, há Câmaras de Doadores, de Mantenedores, o linguajar remete aos tempos dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Pedro Bial é fundador
Mas não importa. O portal é grandioso. Não podia ser diferente, se dois de seus pilares são Roberto Civita e Grupo Abril e João Roberto Marinho, sem Rede Globo, porque os dois outros irmãos não estão no jogo. Roberto e João Roberto são mantenedores e integram o Conselho de Governança. Nomes de alta estirpe comandam a operação, como Jorge Gerdau Johannpeter, Armínio Fraga, Helio Beltrão Filho (novamente) e outros rostos conhecidos da TV também estão lá. Pedro Bial, por exemplo, é fundador e curador.
A lista de doadores traz uma surpresa: Leandro Narloch. Um nome familiar. Há muitas semanas frequenta a lista de best sellers da revista Veja, publicada pela Editora Abril, e cujo redator-chefe, Eurípedes Alcântara, integra com Antonio Carlos Pereira, chefe dos editorialistas do Estadão, o Conselho Editorial do Instituto Millenium. Há pouco tempo, o best seller de Narloch, Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, ganhou uma réplica de Luiz Felipe Pondé, que lançou o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. E também entrou na lista de best sellers da Veja.
Haja colaboradores!
Convém explicar que o Millenium é um portal de artigos e notícias (texto e vídeo) fornecidos por seus 450 colaboradores e especialistas. Você leu certo: 450. Ives Gandra Martins, Nelson Motta, Marcelo Madureira, José Padilha, Josué Gomes da Silva, Claudia Costin, Bolívar Lamounier, Reinaldo Azevedo, Eurípedes Alcântara, Roberto da Matta, Pedro Malan, Carlos Vereza, Luiz Felipe D’Ávila, Carlos Alberto Sardenberg, Demetrio Magnoli e Marco Antonio Villa, entre muitos outros. Nenhuma revista tem tantos. Nem a Veja. Nenhum jornal. Nem o Estadão, nem a Folha. Ninguém.
Amaury de Souza
Mas antes de ser portal, Millenium é um instituto sediado no Rio de Janeiro, que promove fóruns, simpósios e colóquios sobre os temas que mais lhe são gratos: a forma de diminuir o tamanho do Estado brasileiro e como preservar a liberdade de expressão que, segundo seus líderes, está ameaçada.
O interessante é que, quando a liberdade de expressão não foi apenas ameaçada, mas suprimida nos tempos da ditadura militar, esses mesmos paladinos da democracia não foram vistos nas trincheiras da liberdade de expressão. Muito ao contrário.
Presidente do Instituto Milleniun até 17 de agosto último, quando não resistiu a um câncer do pâncreas, aos 69 anos, o cientista político Amaury de Souza tem, em seu pomposo e elogiado currículo, passagem como professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME), o que leva a crer que ele e os militares dividiam, no mínimo, as mesmas convicções.
Tanto é verdade, que, em 1999, ele recebeu da Escola Superior de Guerra a Medalha do Mérito Marechal Cordeiro de Farias. Que serviços terá ele prestado à ditadura? Não foram pequenos, caso fossem não seria tão grande a honraria. Sua barba bem comportada jamais compareceu a algum protesto, nos anos 1960 e 1970, contra a censura à imprensa.
Denúncia do Casseta
De 2005 para cá – enquanto vivo, claro – à frente do Millenium, Amaury de Souza organizou colóquios, simpósios e fóruns a dar com pau. Um deles, denominado Democracia e Liberdade de Expressão, em 24 de março de 2010, com a participação impagável de Reinaldo Azevedo e Marcelo Madureira. Esses encontros se resumem em cada um dos participantes listar o que há de pior no Estado brasileiro sob a batuta do PT.
Marcelo Madureira, que era conhecido até então apenas como humorista, fez uma denúncia sensacionalista: a democracia no Brasil estava em perigo. “Quero denunciar o seguinte: a sociedade brasileira é vítima de ataques à democracia! São ataques à democracia, como o mensalão é um ataque à democracia, a legislação eleitoral é um ataque à democracia. E a sociedade tem de reagir com firmeza a isso!”.
“Eu sou de direita!”
Reinaldo Azevedo mal tinha saído das fraldas, fez 3 anos em 1964, muito cedo para entender o que estava acontecendo. Em 1968, completou o sétimo aniversário. Mas, em 1984, quando ele estava com 21 e todas as pessoas de bem do Brasil foram às ruas para derrubar a ditadura militar sem um tiro sequer, não sabemos onde Reinaldo Azevedo se encontrava. Nos palanques das Diretas Já não foi visto.
Hoje, no entanto, ele se acha em condições de dar aulas sobre democracia, como fez nesse fórum do Instituto Millenium, em que deblaterou sobre política e economia com a mesma falta de conhecimento: “Todos nos tornamos reféns de uma questão que se chama estabilidade econômica. A ditadura militar ruiu por conta da inflação e, enfim, a militância, etc. Mas por conta da inflação, que se estendeu Nova República adentro, de maneira dramática (…). Nós tínhamos um partido que passou vinte e tantos anos fazendo a guerra de valores, sabotando todas as tentativas de estabilização, as honestas e as atrapalhadas, de maneira que chega em 2002, o PT se elege, faz uma carta ao povo brasileiro e todos, especialmente os setores mais conservadores, fatias importantíssimas do empresariado: ‘Ahhh, eles aderiram finalmente à economia de mercado, então vamos todos respirar aliviados. Finalmente, eles não vão querer fazer o socialismo’. (Levantando a voz, quase colérico.) A questão é se eles conseguiriam fazer se quisessem! (Mais calmo). Porque não conseguiriam! E por quê? Eles nos ofereceram estabilidade e, então, de algum modo, nós entregamos tudo a eles”.
Reinaldo Azevedo continua: “Existe uma guerra em curso. O lado de cá, o lado de cá que eu digo é o lado da democracia…Marcelo Madureira disse: ‘Eu sou PSDB’. Eu não sou! Sou de direita! O PSDB não é. É da direita democrática. Eu sou um liberal democrata, não sou um social democrata!”.
O verme dos arrozais
No dia 20 de março de 2012, Arnaldo Jabor dá a sua contribuição ao Fórum Democracia e Liberdade de Expressão do mesmo Instituto Millenium: “Vamos falar claro: o Lula, apesar de bater cabeça pros dois lados, de bater uma no cravo e outra na ferradura, uma na caldeirinha e outra na cruz, ele manteve os bolchevistas, os jacobinos fora do poder de alguma maneira. Manteve certa cerca ao jacobinismo. Com seu temperamento conciliador, etc. E chega momento em que fica até repulsivo. Mas ele conseguiu isso. É um mérito real. Agora, o perigo é que… Eu conheço, como alguns aqui conhecem, como o Amaury (de Souza) conhece cabeça de comunista. Cabeça de comunista não muda, ela é feita de pedra, de granito, aquilo não muda. Fui do Partido Comunista, mudei, mas sou um caso raro… Sou um comunista autocrítico. Não aquelas autocríticas que eles faziam, extraordinárias… Eu me lembro de uma famosa do Lin Piao que começava assim: ‘Eu sou um cão imperialista, eu sou um verme dos arrozais…”.
Mas o que eles querem, afinal, com tudo isso? Qual é o objetivo? Derrubar o governo atual? Tomar o poder? Como? Talvez a melhor resposta seja a intervenção de Alberto Carlos Almeida no 5o Colóquio Impostos, Consumo e Cidadania no dia 24 de agosto de 2010, em que ensina a um pequeno grupo de formadores de opinião como convencer a população brasileira a exigir do Congresso Nacional a redução de impostos: “O que a população quer é redução de impostos de alimentos. Nós temos de mobilizar a sociedade brasileira e simplesmente dizer: vamos colher dez milhões de assinaturas para os congressistas votarem redução de impostos nos alimentos. Isso pode virar um rastilho de pólvora. Aí, precisaremos de alguns mecenas. Você vai falar para os empresários: ‘Temos de reduzir impostos e vocês são mecenas’. ‘Não, eu não vou contribuir porque tenho medo do governo.’ Então, esqueçamos, vai cada um para sua casa sonegar impostos. O brasileiro é pragmático. Ele quer comprar mais. O brasileiro não tem doutrina contra o imposto, contra o governo. Tem de vender isso pra ele. ‘Ah, você quer comprar mais? Então, assina aqui a favor da redução de impostos.’ Pronto!”.
O mundo da demagogia
Conselheiro de políticos, Alberto Carlos Almeida, a quem, aliás, Reinaldo Azevedo chama de “trapaceiro” e “plagiador”, enquanto é taxado por ele de “ultradireitista”, tem uma visão muito particular sobre democracia: “Democracia, por definição, é o mundo da demagogia! Ou você vai chegar na campanha e dizer: ‘Olha, vou aumentar seus impostos. Por favor, vote em mim!’? Você tem de prometer reduzir imposto! Quando chegar lá, você vê o que vai fazer! É assim que funciona em qualquer lugar do mundo!”.
Amparado em pesquisas, revela conhecer as entranhas do pensamento da classe média brasileira: “Funcionário público para a população brasileira se resume a três: policial, médico e professor. O resto que se dane! A população pensa assim. Porque é quem lida com ela”.
Ele tem a fórmula para acender o pavio de sua revolução contra a grandiosidade do Estado: “A comunicação com o povo brasileiro é simples: ‘Olha, vamos reduzir impostos, mas não vamos mexer em direito trabalhista e vamos impedir que aconteça greve de policial, médico e professor. Você me apoia?’. Ele vai dizer: ‘Claro que apoio’. A comunicação tá pronta”.
Por trás de tantas palavras, pesquisas e elucubrações de tantos luminares como Alberto Carlos Almeida – a maioria de barba bem aparada, geralmente grisalha e um estranho modo empolado de falar – há um projeto que pode ser sintetizado dessa forma. O que eles querem primeiro é “levantar” a população contra o Estado, convencê-la de que é muito grande e ineficaz, que o caminho para tal é diminuir impostos.
Cortar impostos, em última análise, equivale a dar menos dinheiro para o Estado petista. Com menos Estado, com menos impostos a serem recolhidos, o governo do PT fica fragilizado, perde sua base de sustentação, que são os pobres e, então, a direita poderá entrar com seu discurso nesse vácuo. E tentar o caminho das urnas. Será? Mas quem será seu líder?
Nêumanne: não sei de nada
Um paraibano alto, de cabeça grande, que fala grosso. Essa é uma descrição aproximada e sintética de José Nêumanne Pinto, cuja foto e nome constam da lista de colaboradores e especialistas do Instituto Millenium.
No café que marcamos em um bar do bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, ele nega conhecer o Instituto Millenium. A situação se inverte: ele pede que eu explique do que se trata.
“Mas sua foto está lá, com seu nome e seus artigos”, tento argumentar. Ele alega pirataria. Ademais, não tem tempo para ler todos os blogs e portais que replicam seus artigos. Não são seus três empregos os responsáveis por lhe tomar tanto tempo.
Em um dia apenas, ele escreve um editorial para o Jornal da Tarde, grava um comentário político para a Rádio Jovem Pan e outro para o Jornal do SBT. Perde mais tempo, porém, com outras dores de cabeça. Ele tornou-se alvo, uma espécie de Geni, na qual os petistas já se acostumaram a jogar pedra. Claro que a resposta dos petistas é muitas vezes mais virulenta que seus comentários anti-Lula. (Em seu livro mais recente, O Que Sei de Lula, ele acusa o ex-presidente da República de ter delatado colegas na época do sindicato de São Bernardo do Campo.) Um deles começou a denunciá-lo sistematicamente por estupro.
“Pegamos o Nêumanne”
O que mais machucou Nêumanne, no entanto, foi saber, por meio de um amigo comum, que o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso tinha comemorado a denúncia, antes de a Justiça considerá-la falsa e obrigar o Google a retirá-la, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia. “Pegamos o Nêumanne”, teria comentado o ministro. Outra aporrinhação partiu de um sujeito que decidiu enviar ameaças de morte, via internet, para ele “parar de falar mal do Lula”. Uma das mensagens mostrava um revólver apontado para o jornalista. O autor foi identificado, compareceu à delegacia, prestou depoimento e foi liberado.
Tento arrancar de Nêumanne alguma reação. Pergunto se não se incomoda em participar de uma orquestração de direita, mesmo sem se dar conta disso. Ele não dá a mínima, diz apenas: “Ah, eles me convidam de vez em quando para alguma conferência, mas nunca fui”. Nêumanne admite, no entanto, conhecer o presidente do Instituto Millenium, Amaury de Souza. “Ele é meu amigo. E não é de direita.” (Uma semana depois do nosso encontro, Amaury de Souza morreu.)
Tropa de elite
Outra foto e nome que estão lá e ninguém mandou tirar: José Padilha, o diretor de Tropa de Elite. Ele também não dá muita importância ao e-mail que lhe envio, pois o que recebo de volta é uma mensagem de sua assessora, Rafaela Panico, com o seguinte teor: “O José Padilha está em pré-produção com seu próximo filme no exterior. Ele está muito ocupado e não está podendo dar entrevistas nem por e-mail nesse momento. Peço desculpas e espero poder te ajudar em uma próxima oportunidade”.
Quem diria: Bolívar Lamounier também aparece como colaborador e especialista do Instituto Millenium. Eu jamais o identificaria com o pensamento de direita. Mas ele é parceiro de Amaury de Souza no livro A Classe Média Brasileira: Ambições, Valores e Projetos. Bolívar mantém certa distância do Millenium, pero no mucho: “Eu participei uma vez ou duas de seminários deles. Não tenho participação regular e não sou articulista, mas não vejo motivos para criar arestas, só se houver um problema específico”.
“Cuide dos seus comunistas”
No tempo em que bandeiras vermelhas da TFP saíam às ruas de São Paulo para combater as bandeiras vermelhas do comunismo – anos 1960, 70 –, jornalistas de esquerda predominavam nas redações. Um empresário reconhecidamente de direita, como Roberto Marinho, não deixava os militares prenderem “seus” comunistas para não desfalcar seu time. “Cuide dos seus comunistas que eu cuido dos meus”, disse certa vez a um general de plantão no poder.
Os “comunistas” tinham fama de trabalhadores sérios, competentes e criativos. Dono de jornal, precisava vender jornal. Ainda que houvesse censura, imprensa precisava ser de “oposição”.
Ninguém compra um jornal para ler elogios. O empresário não corria riscos de ver a ideologia de seu funcionário estampada nas páginas. Disso cuidava a censura. Do esquerdista, o empresário aproveitava o talento, a força de trabalho, o fato de ser “pau pra toda obra”.
Era contraditório: a direita tinha ganhado a guerra pelo poder, mas a esquerda comandava as redações. A esquerda mandava tanto na imprensa, que um grupo de jornalistas do Pasquim conseguiu acabar com a carreira do mais famoso cantor da época, Wilson Simonal, acusado de ser dedo-duro da direita. Em uma ditadura de direita, a esquerda derrubou um artista de direita!
Diogos Mainardis
Mais adiante, anos depois, a situação se inverteu. A ditadura caiu, em 1985, graças ao empenho da esquerda, pois a direita ficou até a última hora ao lado da ditadura militar. Mas nas redações a situação se inverteu. A direita ocupou as posições da esquerda. Havia, em 2002, apenas um Diogo Mainardi – que saiu da Veja e entrou na Globo News. Agora, são dezenas.
Para ter um bom emprego, bem remunerado, numa publicação de grande porte, a senha agora é ser de direita. Mais precisamente: falar mal de Lula e do PT. Falar mal de Lula e do PT passou a significar espaço garantido nos grandes veículos de comunicação, com as devidas recompensas monetárias.
Os esquerdistas perderam seu encanto? Seu talento? Não. Com o advento da democracia e o fim da censura, manter esquerdistas tornou-se perigoso. Agora, eles podem esparramar sua ideologia nas páginas dos jornais e revistas. A censura acabou. Ao invés de vigiá-los, os patrões (de direita) preferem contratar profissionais de direita, que pensam como eles (os patrões). Devido a esse fenômeno, o pensamento de direita está disseminado em um número cada vez maior de veículos de comunicação no Brasil.
“Por que todo mundo tem de ser progressista?”
Não por acaso, ideias de direita estão de volta à circulação no Brasil. Seus principais propagadores são jovens, como Ricardo Salles, um advogado de 37 anos, de São Paulo, que em nada lembra, no trajar, um sujeito de direita. Mas é. Tanto é que o grupo que preside se chama Movimento Endireita Brasil. Em seis anos, desde 2006, ele conseguiu aglutinar 450 participantes ativos.
Salles já foi candidato pelo PFL, hoje critica o DEM. Está filiado ao PSDB, mas não se entusiasma pelo partido. Participa das atividades do Instituto Millenium, mas gostaria que ele se assumisse como direita, assim como o Endireitar.
Numa rápida conversa que tivemos em seu escritório, ele disse, em resumo, o que pensa sobre as desigualdades sociais no Brasil: “Tem muita gente que é pobre porque não quer trabalhar! Tem muita gente que não vai pra frente na vida porque não quer se esforçar. Tem muita gente que comete o crime porque realmente não tem valores. Não tem nada a ver com problema social, que ela foi criada em favela”.
Ideologia: “Por que todo mundo tem de ser de esquerda? Por que todo mundo tem de ser progressista? Por que todo mundo tem de ser pró-interferência do Estado na economia? Pró-Bolsa Família? Pró-BNDES?”.
Lady Baginski
O discurso de Ricardo Salles, contrário a qualquer ditadura, até à militar, virou lugar comum entre os jovens direitistas brasileiros. E também a versão de que a ditadura de direita no Brasil foi um mal menor, estabelecida para evitar uma ditadura de esquerda que estaria sendo engendrada.
Talvez a mais excêntrica das jovens brasileiras de direita atualmente seja a advogada de Caxias do Sul de apenas 22 anos, muito bonita e ligeiramente punk. Usa piercing no lábio inferior.
Embora defenda a legalidade democrática, Cibele Bumbel Baginski ou Lady Baginski, como ela prefere ser chamada, decidiu, com seu grupo, em junho deste ano, relançar um partido que foi criado para apoiar a ditadura militar de 1964: Arena. Ela jura de pés juntos à Brasileiros que ditadura não é papo para ela, o nome é só um nome. No entanto, muita água ainda vai rolar debaixo da ponte até que sua Arena reúna os 500 mil votos necessários para disputar eleições em 2014, como ela e seu grupo planejam.
Nenhum partido, em uma democracia, é óbvio, vai declarar publicamente que pretende chegar ao poder pela força, e não pelo voto. É pelo voto. Hitler chegou ao poder pelo voto. A incógnita é como a direita vai agir depois de chegar ao poder pelo voto. O problema não é a direita entrar, é a direita sair. É uma hipótese bem difícil de acontecer, essa de a direita chegar ao poder pelo voto no Brasil.
Políticos experientes não se arriscam a fundar um partido de direita em um País com as desigualdades sociais do Brasil. Os partidos de direita sempre tiveram de esconder a palavra direita. Direita não dá voto. Qual é o discurso da direita para o povão? Para o trabalhador? Quando a direita foi a favor de aumentar salário de trabalhador?
A direita só tem discurso para a classe média e daí pra cima. A direita só terá sucesso eleitoral no Brasil quando a classe média tiver votos suficientes para elegê-la. Enquanto os pobres e os trabalhadores formarem a maioria dos brasileiros, a direita não terá vez nas urnas.
Direitas Já
Suponhamos, no entanto, que ela ganhe uma eleição presidencial. Governo da direita democrática. Como o governo de Lady Baginski vai reagir em caso de greve de trabalhadores? Como será seu diálogo com os índios? E com os sem-terra? E com os sindicatos? A direita no poder saberá negociar com o Congresso Nacional ou vai impor sua vontade pela força? E se o Congresso Nacional resolver peitar o governo de direita, o que poderá acontecer?
“O voto não vem em primeiro lugar”, antecipa-se um dos participantes de um blog chamado Direitas Já, Renan Felipe, de 21 anos. Antes, é necessário conscientizar a população, o que o seu e outros dezenas de blogs de direita estão fazendo atualmente.
Tanto Lady Baginski quanto Renan Felipe estão nas águas da direita sem conhecer muito bem aquele que foi e é até hoje a expressão máxima desse caminho político, o abominável Adolf Hitler. “Ele tinha qualidades e defeitos como qualquer ser humano”, arrisca La Baginski. “Li Mein Kampf, assim como muitos outros para trabalho escolar, superficialmente, como material de pesquisa. Sobre o autor da obra, diria que tem um estilo de escrita que não é extremamente cativante, apesar de objetivo nas suas ideias e, bem ou mal, acreditava no que dizia. Teve defeitos e qualidades, como todos os seres humanos. Como político, creio que cometeu erros crassos e deu vazão a consequências muito desagradáveis de se rememorar na história.”
Falando à Brasileiros, Renan Felipe culpa a esquerda pela existência da direita: “Esse é um preconceito muito difundido no Brasil, que é o de associar nacional-socialismo ou fascismo com direita política. Tanto o nacional-socialismo quanto o fascismo nascem da esquerda política e se dirigem para o centro, mesclando elementos de nacionalismo e socialismo. Nunca li o livro de Adolf Hitler, apenas excertos, discursos e citações. De modo geral, as ideias nacional-socialistas são ruins porque mesclam tudo que não presta: socialismo, racismo e nacionalismo fanático”.
A direita brasileira nunca esteve tão ativa intelectualmente como hoje. A direita brasileira nunca teve adeptos tão jovens como tem hoje. O que falta ainda à direita brasileira é um grande orador – parafraseando a epígrafe de Hitler aqui acima – capaz de ganhar a maioria dos brasileiros para a “causa”.
SÓ NÃO VALE DAR TIRO NO BLOGUEIRO
Seu lema é: “Estamos chegando! A nova direita do Brasil!”. Suas palavras de ordem são: “Deus é supremo… Comunismo é do demo!”, “Vote no PT de novo para ele entrar mais fundo no rabo do povo”, “Diga não à política narcótica vermelha”. Sua mensagem, ele transmite em vídeo postado em seu blog, que faz referências ao Movimento Endireita Brasil. Ricardo Gama é bem diferente de outros direitistas, que falam para a classe média de forma tranquila e ponderada. Ele tenta ser entendido pelo povão, seu discurso é mais chulo e ditatorial: “Ahhh… As minhas razões e as minhas emoções pra fazer esse vídeo… É sobre o vídeo que eu fiz sobre o Sérgio Cabral e o Anthony Garotinho que postei agora no meu blog… Tão me metendo porrada… Dá mais porrada! Só não vale dar tiro no blogueiro!”
Gama fala mais: “Mermão, quando Garotinho foi governador do Rio, eu não morava aqui, eu morava em Minas. Hoje, eu tô no Rio de Janeiro. Você tá criticando Garotinho, você tá criticando Sérgio Cabral, tão dizendo que os dois… Critica, mermão, mas faz alguma coisa!”. Mais ainda: “Mas olha só: não faz só no mundo virtual, não, faz no mundo real também. O governo do Anthony Garotinho já passou, agora tá no governo Sérgio Cabral, que tá essa zona toda e ninguém faz porra nenhuma!”. Outro: “Ficam teclando na internet. Poucos têm coragem de dar as caras. Liberdade de expressão! Senta porrada no deputado Anthony Garotinho! Mas por quê? Quando ele era governador, nego não saiu na rua quando ele fez alguma coisa errada, claro que ele deve ter feito alguma coisa errada, ninguém é perfeito”.
Gama continua: “Mas por que o povo não saiu na rua? Não quebrou a porra toda? Não se rebelou? Agora ficam criticando! Agora tá o Sérgio Cabral, roubando pra caralho, ninguém faz porra nenhuma! E aí o quê? Quando entrar o próximo governador…” Ele escreve mais: “Mermão, não fica só no protesto virtual… Dá as caras! Sai na rua! Se mobiliza! Reclama! Reclama com o atual, porque o passado não adianta mais, não”. Outro post: “Em 2014, vai ter eleição. Preste atenção em quem você vai votar, mas reclama, mermão! Pode me usar. Pode me xingar. Pode me meter a porrada. Mas reclama! Digita aí mesmo. Mas vê se faz um favor: sai na rua!” Ainda: “A vida, mermão, não é só futebol, novela e mulher bonita na praia. ‘Ah, eu não gosto de política’. Foda-se que você não gosta. Mas você é governado por políticos e a sua omissão tá fazendo o povo viver na merda! Eu sou Ricardo Gama. Um abraço. Aflora, meu irmão! Põe pra fora! Vamo dar um basta!”.
QUEM É QUEM NO MILLENIUM
Um dos fundadores e curadores é o conhecido apresentador do BBB Brasil, da Rede Globo, Pedro Bial. Mas o Instituto Millenium é composto por:
Câmara de Fundadores e Doadores
Uma lista de 16 nomes, entre eles, os mais conhecidos são Guilherme Fiuza (jornalista), Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central no governo FHC), Helio Beltrão Filho (presidente do Mises Brasil e sócio e ex-presidente do Grupo Ultra), Paulo Guedes (economista) e Pedro Bial (apresentador do BBB, da TV Globo)
Câmara de Mantenedores
Alguns: Roberto Civita (presidente do Grupo Abril), João Roberto Marinho (um dos sócios da Rede Globo), Arminio Fraga (economista do governo FHC), Helio Beltrão Filho, Jorge Gerdau Johannpeter (presidente do Grupo Gerdau), Josué Gomes da Silva (filho de José Alencar, vice-presidente da República no governo Lula), Maristela Mafei (presidente da Máquina Public Relations), Nelson Sirotsky (presidente do Grupo RBS)
Câmara de Instituições
Confederação Nacional dos Jovens Empresários, Espírito Santo em Ação, Instituto Atlântico, Instituto de Cultura da Cidadania, Instituto de Estudos Empresariais, Instituto Liberal, Instituto Liberdade,
Instituto Ling, Instituto Mises Brasil e Movimento Endireita Brasil
Conselho de Governança
Presidente Amaury de Souza (morto em agosto passado), Antonio Carlos Pereira, Helio Beltrão Filho, João Roberto Marinho, Jorge Gerdau Johannpeter, Luiz Eduardo Vasconcelos, Roberto Civita, Paulo Guedes, Salim Mattar, William Ling e Pedro Henrique Mariani
Gestor do Fundo Patrimonial Armínio Fraga
Conselho Editorial
Antonio Carlos Pereira e Eurípedes Alcântara
Mantenedores e Parceiros
Abril, Gerdau, Localiza, Statoil (Grupo Líder), Suzano (Grupo Master), Instituto Ling, Mises Brasil (Grupo Associado), Thomsom Reuters, Maquina Public Relations, Grupo M&M, Grupo RBS, O Estado de S. Paulo
Doadores
Uma lista extensa, da qual constam João Roberto Marinho, Roberto Civita, Arminio Fraga, Josué Gomes da Silva, Leandro Narloch (o escritor best seller)
POR QUE NINGUÉM MATOU ESSE CARA?
“Não ignoro que é pela palavra muito mais do que por livros que se ganha os homens: todos os grandes movimentos que a História registrou ficaram a dever muito mais aos oradores do que aos escritores” Adolf Hitler, em Mein Kampf.
Fui ler, depois de velho (para esta reportagem) o tal do Mein Kampf, do canalha Adolf Hitler. Fiquei indignado. E recomendo a leitura para que todos percebam que esse foi o maior canalha da História.
O que ele escreve sobre os judeus é asqueroso. Não entendo como algum judeu alemão não o matou naqueles idos de 1924, quando ele escreveu esse lixo de ofensas. O maior gênio da humanidade, então, se chamava Albert Einstein, um judeu. E alemão. O maior gênio do cinema era outro judeu Charles Chaplin. Hitler, no entanto, afirma que os judeus “até parecem gente”, “não tomam banho”, “são covardes”, e os insulta com um sem-número de impropérios que só podiam sair da boca de um covarde, sádico, imoral e genocida, cujo assassinato, então, poderia ter salvo milhões de vidas de pessoas maravilhosas.
por Alex Solnik 


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aposta da Oposição em 2013: Quanto pior melhor!!!

Há uma aposta da oposição (DEM/PSDB - e peixes pequenos&parasitas) quanto a política econômica brasileira para 2013: quanto pior melhor. Afirma prof. André Singer (USP) " não por acaso, um cérebro tucano escreveu há poucos dias: "Quem sabe se, com os 'pibinos' se repetindo e a inflação continuando, o pais não resolve mudar de rumos nas eleições de 2014".
O moralismo político da sociedade tupiniguim brasileira não tolera tal ação. A oposição tenderá a mais fracasso em 2013.

Na política o homem do povo quer resultado - é pragmático. Enquanto o governo do PT continuar com os seus programas sociais beneficiando os pobres continuará no poder, no processo de revolução passiva. Considerando que a oposição, por questão de representação dos interesses de seu grupo social - a classe média alta e rica (com pensamento conservador e darwinismo social) - não consegue implementar políticas sociais populares sem deixar de serem cínicos. O PSDB é cínico, isto é, filosoficamente, é aquele que acredita que a retórica, o discurso e a argumentação vencerá a batalha, embora não acredita em sua fala. Por isso a prédica (fala) não corresponde a prática. E o homem do povo já sacou. A resposta são o lulismo e o dilmismo.
É preciso reforçar valores, pois não há como viver humanamente sem valores, afirma o filósofo Prof.  Leandro Konder - USP ( na obra Em torno de Marx, 2010).  O que se discute é "que valores eu adoto?".
Um outro mundo é possível e a política é uma das mediações. Em 2013 a política brasileira deve se firmar na hegemonia das classes populares com um governo trabalhista e não dos empresários.
O moralismo político da sociedade tupiniguim brasileira não tolera tal  ação. A oposição tenderá a mais um fracasso.



domingo, 16 de setembro de 2012

O roubo de 19 bilhões do povo paranaense

Leia o post do blog ÁguaVerde sobre o roubo no Banestado no governo Lerner. O governo Beto Richa é continuidade de tal política neoliberal.

O roubo de 19 bilhões do povo paranaense

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Escrito por Redação   
Ter, 17 de Julho de 2012 17:58

Neste artigo vamos recordar o roubo de 19 bilhões de reais dos cofres públicos do Paraná com a “quebra” do Banestado, durante o governo Jaime Lerner.
Todos se lembram que na época o Banestado era um dos bancos mais fortes e promissores do país, com 70 anos de trabalho financiando o progresso do nosso Estado. A “quebra” do Banestado foi um processo rápido, durante uma gestão do governo Lerner, e serviu para enriquecer quadrilhas organizadas e políticos de dentro e de fora do banco.
O Banestado foi quebrado numa espécie de “queima de arquivo” para esconder falcatruas e roubalheiras com o dinheiro público. Doleiros presos nos anos que se seguiram confessaram que entregavam dinheiro vivo, fruto da roubalheira, ao ex-governador e deputados da sua base de apoio na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.
Este caso precisa ser relembrado porque não foi devidamente tratado pela chamada “grande” imprensa, que em parte se beneficiou com a roubalheira através de valores milionários gastos pelo banco em publicidade.
Os dados aqui transcritos foram publicados no livro “Histórias sobre Corrupção e Ganância” do corajoso jornalista Wilson J. Gasino, baseado na CPI do Banestado instalada na Assembléia Legislativa sob a presidência do deputado Neivo Beraldin. Portanto, os fatos aqui publicados são reais, fruto de mais de seis meses de pesquisas na documentação levantada pela CPI.
Os paranaenses precisam saber desses fatos porque estão pagando a conta, até o ano de 2029. Dinheiro roubado que faz falta na construção de presídios (contratação de policiais) escolas, universidades, postos de saúde etc., está sendo usado para pagar o maior roubo da história do Paraná. E os ladrões – na maioria políticos - estão impunes, gastando o dinheiro roubado, rindo do povo paranaense e da Justiça, de quem roubaram essa grande fortuna.
Todo político corrupto sabe que uma das formas mais usadas para roubar dinheiro público é através da propaganda e publicidade. Algumas agências de propaganda se transformaram em “laranjas” de prefeitos, vereadores e governadores nas últimas décadas, porque é muito difícil determinar os custos das diferentes etapas de produção de material publicitário. Um anúncio em grande jornal, no formato de uma página, pode custar, apenas na produção, R$ 500,00 ou R$ 50.000,00, dependendo dos acertos entre os envolvidos no negócio.
A agência Heads, uma das principais agências de propaganda no governo Lerner, tinha como responsável pelas contas do governo, nada mais nada menos que o próprio genro do governador, Cláudio Hoffmann.
A partir de 1998 os gastos com propaganda e publicidade do Banestado dispararam. O Banestado gastava verdadeiras fortunas, muito mais que o Banespa (Banco do Estado de São Paulo), Banrisul, Banco do Estado do Rio Grande do Sul) entre outros. Na época foram indiciados, entre outros, o ex-secretário estadual de Comunicação Social Jaime Lechinski, o ex-presidente do Banestado Manoel Garcia Cid e o ex-assessor de comunicação social da presidência do banco, José Schlapak.
A ação pedia como medida liminar a indisponibilidade dos bens dos quatro réus, no que foi atendida pela juíza Josély Dittrich Ribas, da 3ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba, no dia 29 de dezembro de 2003. Essa decisão se deu logo após o encerramento dos trabalhos da CPI do Banestado, cujo trabalho foi citado pelo Ministério Público no texto da propositura da ação.
O texto trazia detalhadamente uma série de irregularidades na condução dos gastos com publicidade do Banestado, mostrava o uso político dos recursos, a irresponsabilidade diante do problema de caixa do banco e o repasse de valores muito acima do cabível para fornecedores. Através de documentos e de depoimentos de ex-funcionários do Banestado que confirmaram esses abusos, o MP chegou a um valor de R$ 16.666.690,23 (à época) de prejuízos causados aos cofres do banco”.
A roubalheira no Banestado não parou por aí. O banco foi vendido ao Itaú, mas a dívida, o prejuízo, ficou para o povo paranaense, que vai pagar até 2029, e o Itaú ficou só com a parte boa.
E por falar em roubalheira do dinheiro público, porque os deputados envolvidos na roubalheira da Assembleia Legislativa do Paraná não estão presos?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Política com a cara dos jovens estudantis - entrevista


A política, enquanto um agir orientado por uma vontade coletiva que represente os interesses da maioria da população, exige a participação da juventude, do movimento secundarista, visando a democratização da política.
No video anexo, vejo a presença de um jovem londrinense do PT, ANDRE GUIMARÃES, que alça asas para o alto na construção de uma hegemonia sob direção das classes subalternas e  DE UMA SOCIEDADE SOCIALISTA.
Veja a entrevista com a Camila Moreno - diretora da UNE. http://br.mg5.mail.yahoo.com/neo/launch


A crise política em Londrina e o retro da hegemonia do pensamento conservador

 A eleição em Londrina, 2012, revela as armas e os instrumentos ideológicos do pensamento conservador que busca ser hegemônico. Na arquitetura das idéias políticas Londrina convivia, desde os anos 1980 com cinco paredes coloridas com ideologias complementares e contrárias: a conservadora-tradicional; a liberal-progressista; neoliberal cínico; esquerda-fundamentalista pós moderna; esquerda social-desenvolvimentista. Com atuação no campo da sociedade política (Estado) e na sociedade civil tais grupos sociais dispunham de suas bandeiras conforme o grupo social representado e  integrado aos interesses cultural-moral, econômico e político. Rememorando, em Londrina, as esquerdas detinha nas décadas de 1980 e 1990 a hegemonia cultural. Perdeu totalmente com o ascenso ao governo municipal, não ao poder, Gestão Cheida(PT) e agora em outro partido (o PMDB).
Eu amo o que você faz


A utopia de uma sociedade justa e igualitária pervadia o imaginário das organizações estudantis (DCE), as igrejas de libertação (CEBs, movimento Fé & Política, as teologias – TdL e TR, e a CPT e MST), o movimento sindical incipiente e vitaminado com a vitória da oposição no Sindicato dos Bancários em 1984 e a constituinte(1987-88). Os aparelhos privados de hegemonia da burguesia e sequazes, segundo a visão gramsciana, seguia uma dualidade liberal de distensão frente a ação histórica e política da classe dos de baixo, considerando a estratégia política da ‘revolução prussiana’ da crítica marxiana.
O pensamento conservador-tradicional no final do século passado, em momento de refluxo e dissenso, é preciso submergir e sutilmente constituir forças. E a estratégia política foi de agregar força com o grupo social do pensamento neoliberal. O predomínio do primeiro sobre o segundo ocorreu no quadro do espaço moral-religioso, mas a tática do segundo com os instrumentos de coesão: simulação, simulacro, cinismo, plastificação iluminista, proporcionou-lhe domínio e controle no espaço do poder – e o fenômeno ‘richiano’ expressão do ‘lernismo oculto’. O objetivo de tal grupo é buscar o consentimento da massa para cimentar o domínio econômico de setores dominante na sociedade civil sob o ab-uso do fundo público.
A crítica à razão conservadora assenta no princípio de que a realidade denominada de precária não é imutável pelo poder das instituições sociais mas sim articulará com as outras dimensões da vida do ser humano, livre, autônomo e consciente.
As esquerdas londrinense, fruto do imobilismo e sombra de pessimismo que tomou conta no final do século passado, aborda a política e os atores políticos pela razão utilitarista benthaniamo, travestido de pragmatismo político de Maquiavel ou de Gramsci. O desenvolvimento da história deve ocorrer conforme o previsto, qualquer diferença é fruto de história com seu poder transcedente. A esquerda fundamentalista focado no modelo do estruturalismo e sistêmico, sombreado pelo idealismo hegeliano (a idéia é o real e o real é a idéia) e na bipolaridade do ‘materialismo’ bakunin-kantiano, crê na mudança histórica materialista da razão, cuja subjetividade é dominada por três dos sete pecados capitais. A esquerda utopista voluntarista cristã sobrevive na penumbra dos governos e poder como força supletiva, mas o juízo ético-moralizante ofusca e o embriaga turvando a leitura de realidade e a prática política espontaneísta, focado nos interesses da corporação religiosa negada&amada como prostituta do Bataclan ilheense. “A humanidade não se propõe nunca senão os problemas que ela pode resolver, ver-se-á, sempre, que o próprio problema só se apresenta quando as condições materiais para resolvê-lo existem ou estão em vias de existir”.
Os aparelhos privados ideológicos dominantes ou de hegemonia disseminam ‘agrotóxicos’ sobre o real e copta o segmento classe média sob o projeto de sociedade assentado na Desigualdade.  O populismo, enquanto expressão do pensamento liberal-progressista, cujo conteúdo é a retórica iluminista, assentado no mito da vanguarda rompante, tal como Pedro, o zelotas, ironizado por Jesus, ousou ameaçar autonomia frente ao poder das oligarquias encastelado nos aparelhos jurisconsultes, no presbitério pentecostal ululante e mídia nativa conservadora. A ação dos aliados neoliberais foi de cassação, expulsão, massacre e ‘procastelação’ dos populistas. A dúvida, o risco de ganho preterido das grandes corporações como Walmart, TLC&P e outras nas áreas de comércio, serviço, informática&telecomunicação e construção não é algo que se procastina, mas sim pune com ação da sociedade política cuja função é de coerção e violência na busca do consentimento, afirmou o jovem Marx em 1843 na obra ‘Crítica à filosofia do direito em Hegel’.
O pensamento conservador em posse e no manuseio dos aparelhos de repressão do Estado trina no céu, com os holofotes da mídia nativa, a mensagem – a hegemonia é necessária enquanto direção política de um projeto utópico de sociedade assentado no equilíbrio mercado, e exige sacrifícios e sangue dos grupos sociais vulneráveis. O poder cimentará no baseado no consenso e se necessário no puro exercício da força e da coersão. Os aderentes da razão utópica cristão, sujeitos na/da história, promoverão ações como reação. Qual será a ação histórica? Veremos.


[1] Professor de filosofia e sociologia na Faculdade Norte Paranaense - Uninorte, mestrando em Filosofia Contemporânea (UEL), sociólogo, especialista em políticas públicas, e-mail: joaquimpio@yahoo.com.br

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Seleção de Comunicadores - defesa dos direitos das crianças

Ciranda seleciona Comunicador(a)

A Ciranda - Central de Noticias dos Direitos da Infância e Adolescência (ONGS) está selecionando candidatos(as) para uma vaga de comunicador(a).
A contratação será realizada no âmbito do Projeto Comunicação como Ferramenta de Mobilização e Articulação para o Enfrentamento às Violências contra Crianças e Adolescentes - convênio 005/2012, firmando entre Ciranda e Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social e aprovado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescentes.

Exigências:
-Graduação em Comunicação Social
-Experiência em produção de conteúdos
-Domínio de ferraementas Web
-Bom texto
-Disponibilidade.    Mais informações no site da Ciranda.

Candidatos(as) enviar currículo para a Ciranda até 10 de setembro (segunda-feira) para coordenacao@ciranda.org.br  Após avaliação do currículo serão feitas entrevistas dos pré-selecionados.


Governadores bloqueiam atualização salarial dos professores

Os governadores de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Piaui, Roraima e Rio Grande do Sul entraram com ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.848 contra o art. 5º da Lei nº 11.738 que trata da atualização monetária anual do piso nacional do Magistério.
O governadores que são:
- Neudo Ribeiro Campos(PP-RN);
- Wilson Nunes Martins (PSB-PI);
- Raimundo Colombo (PSD-SC);
- Andre Puccinelli (PMDB-MS)
- Tarso Genro (PT-RS)
propugnam que o Governo Federal está impondo (legislação) despesas para outro nível de governo. É um descompromisso com a educação.
A lei citada trata de mecanismo do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica - do MEC) de atualização monetária, considerando que os recursos dos estados são complementados com os da União.
Os estados não comprovaram a incapacidade de pagar o piso nacional. Surpreende-me o Governo do RS (Governador Tarso Genro - PT) assumir tal posição, sendo que a bancada no Congresso apoiaram a inclusão no PNE(2012-2020) de10% do PIB ser destinado a educação.
Os rendimentos da educação no magistério convive com uma diferença salarial na comparação com as outras categorias no valor médio de 42% no Brasil. Educação de qualidade exige-se condições de vida para os trabalhadores da educação.

domingo, 19 de agosto de 2012

POLÍTICA E A ARTE DE MENTIR

É opinião muito difundida na sociedade – como senso comum – expressão da miséria política e cultural de um povo, de que “é essencial à arte política mentir, saber esconder astuciosamente as próprias opiniões verdadeiras e os verdadeiros fins para os quais nos orientamos, saber fazer com que se acredite no contrário do que realmente se quer, etc.”, afirma Gramsci, na obra Cadernos do Cárcere (Caderno 6. §12, 2011, p. 224).

O político não sobrevive sem a mentira. Tal assertiva falsa na observação no cotidiano das ações dos políticos o senso comum firma na naturalização. A ação do político sempre  representa interesses próprios e de terceiros. É preciso indagar: quais sãos os seus objetivos? A que a interesse defende? Para quem, grupo social, ou classe? Os interesses são públicos, coletivos ou privados, particular?  Há transparência ou são ocultos?
Preso, escreve o filósofo político italiano Antonio Gramsci, em 1930,
A opinião é tão enraizada e difundida que, ao se dizer a verdade, não se consegue crédito. Os italianos em geral são considerados, no exterior, mestres na arte de simulação e da dissimulação, etc. Lembrar a anedota judia: “Onde vai?”, pergunta Isaac a Benjamin. “A Cracóvia”, responde Benjamin!  “Mentiroso! Você diz que vai a Cracóvia para que eu acredite que vai Lemberg; mas eu sei muito bem que você está indo a Cracóvia: então, qual a necessidade de mentir?” Em política, pode-se falar de discrição, não de mentira no sentido mesquinho em que muitos pensam: na política de massa, dizer a verdade é precisamente uma necessidade política(GRAMSCI, 2011, p.224-5).

A política não é a arte de mentir, mas sim de dizer a verdade na construção de uma sociedade regulada, justa, democrática e solidária.





As classes dirigentes e dominantes burguesas disseminam por meio de seus aparelhos privados de hegemonia (família, escolas, universidades, igrejas, jornais, rádios, músicas, etc) a noção de política como algo imoral e aético.  Tais ideologias cimentam o domínio e hegemonia, pois afastam a participação política da massa e crescimento cultural, político e moral do bloco das classes subalternas.